O aniversário de Dom Pedro II em Valença

Edição: 637 Publicado por: Rodrigo Magalhães Teixeira em 07/03/2019 as 09:12

 
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Corria o ano de 1857. A dois de dezembro Sua Majestade Imperial D. Pedro II completaria 32 anos. Em Valença, ao anoitecer do dia primeiro uma banda de música anunciou ao povo os festejos do dia seguinte. A banda seguida por uma multidão parou defronte a suntuosa recém-inaugurada Câmara Municipal. Após a execução do hino nacional, os vivas e aplausos calorosos para Sua Majestade.

Às dez horas do dia seguinte, a Guarda Nacional, composta das armas de cavalaria e de infantaria, uniformemente fardada com elegância e riqueza, reuniu-se na Praça D. Pedro II em número de quinhentos homens. Ali formada em grande parada, receberam o estandarte e bandeira que neste ato foram bentos pelo vigário Vianna das Chagas. A seguir, marcharam para a Praça da Câmara Municipal (jardim de baixo), onde se achavam reunidos os membros da mesma, autoridades locais e cidadãos distintos. A praça estava apinhada de povo e as janelas das casas adornadas de senhoras. Aos vivas dados ao Imperador, seguiram-se as descargas da infantaria e a marcha em continência.

Ao meio-dia teve lugar um solene Te Deum na igreja Matriz (catedral), com assistência de todas as corporações da cidade. Às quatro horas da tarde um esplêndido jantar foi servido no palacete do Barão do Rio Preto (Colégio Estadual Theodorico Fonseca), em cuja mesa se assentaram mais de mil pessoas! Os vereadores ocuparam uma extremidade da mesa com as demais autoridades; na extremidade oposta o estado-maior da Guarda Nacional; no centro os paisanos; aos lados destes os Defensores da Pátria, em seus uniformes. O brinde a D. Pedro II foi com maior entusiasmo respondido ao som do hino nacional; e da mesma forma à Imperatriz e à augusta família; seguiram-se outros brindes com alusões ao dia.

À noite toda a cidade se iluminou e a casa do jantar foi visitada por imensas famílias, e durante a ceia ainda mais brindes se fizeram, sempre seguidos de aplausos gerais e de harmoniosa música. E, por fim, um ato de filantropia coroou a satisfação de todos: a mesa, que ainda continha provisões em abundância, foi franqueada aos pobres!

No dia seguinte, e como continuação dos mesmos festejos, um baile foi oferecido na mesma casa pelos oficiais da Guarda Nacional em honra do dia antecedente. O número dos convidados presentes excedeu a quatrocentos, sendo indizível o luxo e gosto com que todas as pessoas de ambos os sexos trajavam, e entre todos reinou a mais bela afabilidade, “digna do ato que festejavam e do povo valenciano. Pode-se afirmar que rivalizou com os mais pomposos bailes da corte em tudo” – elogiou um afamado jornalista da Corte, já bastante experimentado em presenciar as festividades do natalício do imperador em diversas cidades do país, como era costume na época, mesmo sem a presença do ilustre aniversariante.

*Texto baseado em matéria publicada no jornal Correio Mercantil, do Rio de Janeiro, em 04 de janeiro de 1858

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