O Boechat, a depressão e eu

Edição: 639 Publicado por: Marcelo A. Reis em 20/03/2019 as 14:00

 
Leitura sugerida

Caro leitor; 

O falecimento do Ricardo Boechat trouxe à tona diversos fatos e momentos de sua vida profissional e, também, do lado pessoal. 

A todos chamou atenção a coragem que teve em relatar a fossa em que entrou em consequência de uma depressão. Os jornais abrem janelas, ouvem especialistas. Uns realmente conhecedores do assunto e diversos outros que coloco entre “aspas”. 

Foi muito proveitoso porque ele desnudou-se perante o público. Viu-se qualquer um pode estar sujeito a tais coisas. Que não é apenas em novelas e minisséries de TV que acontecem. Podem ter causas orgânicas, psíquicas e, até mesmo, a conjugação de ambas. Ainda assim ouvi muita gente dizer que tal é piti de ricos, de famosos. Coisas de celebridades!

Como não classificado em nenhuma dessas categorias. Sou classe média, trabalho para manter-me. Um brasileiro comum explorado, que paga impostos altíssimos para manter o “mandarinato” da República, resolvi compartilhar a minha história; a minha depressão. 

Sempre fui o “fodão” (desculpe); pelo uso do português vulgar para bem caracterizar.  Era o cara que resolvia tudo de todos. Era o desaguadouro das demandas de amigos, vizinhos e parentes. E resolvia! Até para mediar conflito conjugal de amigos já fui convidado e ligarei solucionar. O cara assim começa a, cada vez mais, considerar-se onipotente. Nada pega! Nada lhe detém!

“Depressão?!

Que é isso?!

Não existe!

Frescura!

É falta do que fazer!”

Assim pensava. Assim agia.

Até que...

Comecei a sentir-me no ar. Sem paciência!

Sabia o que fazer, como fazer e não fazia. 

Um dia chego em casa e ao ser perguntado como estavam as coisas lá na roça, sentei, disse que estavam ótimas, mas que eu é que estava mal. Chorei como uma criança; pranto convulso! A Giselda disse que vinha notando e estava “controlando” para conversar comigo na hora, no momento certo. Aconselhou que conversasse com a Fernanda.

Liguei para a minha filha caçula, no Rio, e relatei-lhe tudo. Pedi (pesado!) que não contasse aos seus irmãos, no exterior, porque nada poderiam fazer e ficariam preocupados. 

Tudo na minha vida ia muito bem. O lado familiar e o lado profissional corriam maravilhosamente e eu triste.

Reuni as minhas equipes, a da nossa fazenda e a do Sindicato Rural que presido, e abri o jogo. 

Foram sensacionais. O Arlindo e a Regininha, na primeira, a Tininha, a Bia, o Jorginho do Eugênio deste último retornaram-se e tudo andou. Com a ajuda do Édio, médico, um primo que é mais do que irmão, busquei um geriatra, uma nutricionista, iniciei uma adequada dieta alimentar. 

A Karla minha irmã cuja proximidade me é positiva. 

Não fossem os profissionais, a família e os amigos próximos não estaria superando tão rapidamente. Sozinho não se consegue!

Estou 88% bem!

Conto para encorajar a quem está com problemas e aqueles que têm algum ente /amigo assim.

Viva a vida!

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