O Barão negro e Valença

Edição: 639 Publicado por: Rodrigo Magalhães Teixeira em 20/03/2019 as 15:03

 
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Francisco Paulo de Almeida foi mais um entre os muitos mineiros da região aurífera que, com a escassez do metal precioso, dirigiu-se para o Vale do Rio Preto à procura de terra fértil a fim de cultivar o café – o ouro verde! A cor de sua pele, porém, diferenciava-o de seus compares: era negro! Tornou-se nessas paragens potentado fazendeiro, abastado comerciante e ascendeu à nobreza, em pleno ápice da escravidão que naquele período era imposta aos negros no Brasil. E esse detalhe é o cerne da questão e o clímax da biografia desse personagem que iniciou a sua trajetória e viveu grande parte de sua vida em Valença – o “Barão Negro”, uma das figuras mais comentadas no atual cenário historiográfico nacional!

Nascido aos 10 de janeiro de 1826, no arraial de Lagoa Dourada (São João del Rei/MG), Paulo de Almeida era filho de um português com uma escrava. Aos 12 anos já trabalhava como ouvires, sendo especialista na confecção de botões de colarinho. Consta também que ainda jovem se tornou violinista, e que tocava nos enterros em sua terra natal a fim de complementar seus ganhos mensais. Mas foi em 1842 que iniciou a vida de tropeiro, profissão que lhe proporcionou conhecer o Vale do Rio Preto através das muitas viagens que realizava de São João del-Rei com destino ao Rio de Janeiro, percorrendo a Estrada do Comércio.

Dedicando-se ao negócio de tropas, em 1860 conseguiu comprar a sua primeira propriedade rural. Ela era situada nas proximidades do incipiente arraial de São Sebastião do Rio Bonito (atual Pentagna), no município de Valença. Alguns anos depois, seguindo sempre o trajeto desse movimentado caminho que ligava o sul de Minas à Corte, adquiriu a Fazenda Santo Antônio do Rio Bonito e, a seguir, também a Fazenda Veneza, ambas em Conservatória, território valenciano. Consta, ainda, que Paulo de Almeida chegou a possuir outras duas fazendas na província mineira, no município de Rio Preto.

Em 1870 já era um dos principais produtores de café do Vale do Rio Preto. Dedicou-se ao negócio de importação e exportação, em firma comercial situada na Corte, onde adquiriu uma confortável casa (na Tijuca). Depois edificou um belo palacete no centro de Petrópolis (“Palácio Amarelo”, atual sede do Legislativo Municipal), onde costumava veranear. Mas durante grande período de sua vida, o seu principal domicílio era Valença, onde se situavam a maior parte de suas fazendas, cidade para qual prestou relevantes serviços. Foi benemérito da Santa Casa de Misericórdia local, entidade da qual foi, inclusive, o provedor no biênio 1882-1884. Participou da construção da Estrada de Ferro de Santa Isabel do Rio Preto, cujos trilhos atravessavam as terras de sua propriedade na Fazenda Veneza, e no dia 21 de novembro de 1883 assistiu à inauguração do trecho na ilustre presença de D. Pedro II. Em sua homenagem, foi dado o nome de Paulo de Almeida à parada do trem situada defronte à Fazenda Veneza.

Em 16 de setembro de 1887, Paulo de Almeida recebeu o título nobiliárquico, tornando-se o Barão de Guaraciaba. Ele faleceu aos 9 de fevereiro de 1901, no Rio de Janeiro, onde foi sepultado. Deixou muitos descendentes, entre os quais um neto que se tornou uma figura política de destaque, o médico valenciano Luiz de Almeida Pinto.

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