Tratante

Edição: 642 Publicado por: Gustavo Abruzzini em 10/04/2019 as 08:34

 
Leitura sugerida

Meu pai era um sábio. Transformava experiência em sabedoria de vida. Quase não saía de Valença, mas era muito bem informado. Além da infância regada a rádios cultas que ouvia quando em companhia da madrinha, a partir da juventude leu jornais diariamente e livros sempre estiveram em sua cabeceira. Seu estudo não passou da quinta série primária da qual tinha orgulho e ressaltava que, nela, estudara câmbio.

Nos seus últimos tempos, meu pai reclamava por demais de algo que lhe tirava do sério: o fraco senso de compromisso de prestadores de serviços. Muito o irritava o não cumprimento de agendamentos ou, o que é mais grave, a total incapacidade de darem a ele quaisquer satisfações. Ele ficava irado e reagia ao descaso dispensando para sempre o prestador de serviço, que daí em diante não passava, para ele, de um tratante. Nada mais do que isso, mesmo que houvesse ali um pingo de camaradagem ou pretensa amizade.

 

Herdei

Agora, eu tenho me encontrado em situações do tipo. A vida acelerada de hoje, somado a frágil capacidade de previsão ou até mesmo organização, frente às demandas, faz com que muita gente comprometa-se com a falha e o desgaste com seu cliente. Aí, depois reclama-se da economia, do governo e da sorte, quando deveria-se reclamar tão somente de si mesmo e de sua incapacidade de entregar o que promete, no dia e na hora que se comprometeu a fazê-lo.

 

Atual

E o mesmo se constata neste novo mundo de startups e tecnologia. O cidadão investe em banda larga e ato contínuo em uma destas provedoras de filmes e séries de televisão, via streaming. E aí aquela banda larga prometida, oscila, cai seguidamente, e você paga pelo que não recebe. E é preciso telefonar para obter uma satisfação esfarrapada que seja.

 

Conforme-se

Da mesma forma, os serviços públicos oferecem a mesma sensação. Por mais que você esteja em dia com o IPTU, as taxas e tudo o mais, sua rua tem buracos, sua água cheira a cloro, o lixo fica acumulado em ridículos latões ou caçambas, os ônibus não lhe atendem e sua energia elétrica vai-se embora a cada chuva armada no horizonte. Fica parecendo que estamos na era do desserviço público. Ninguém lhe dá sequer uma satisfação. Nem Prefeitura, nem concecionárias. Intui-se que cabe a você conformar-se, pois o normal é o anormal.

 

Procura-se

Terça-feira amanheceu com o empresário Ronald de Carvalho da Metalúrgica Valença procurado pelo Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Distrito Federal. O motivo: suspeita de fraude na instalação de UPAs no Distrito Federal. E pensar que outro dia (27/3), ele estava no gabinete do prefeito Luiz Fernando Graça flertando com a possibilidade de abrir novas vagas de emprego. O container caiu!!

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