Alfarrábios e Memória 

Edição: 650 Publicado por: Marilda Vivas em 05/06/2019 as 07:58

 
Leitura sugerida

Guarda municipal: um inciso atravessado em minha garganta

A inclusão de um inciso na Lei na Complementar 53/05 (e suas alterações) que cria a Guarda Municipal de Valença, permitindo que esses trabalhadores lavrem boletins de acidentes de trânsito sem vítima, quando não houver policial por perto é algo que nunca digeri.

Dias desses, mexendo nos meus alfarrábios, encontro um artigo publicado na página 3 deste jornal, em 17/2/2011, onde apresento meus argumentos. Saí derrotada desta batalha. Meus argumentos não. Sequer sou bacharel em direito, já aviso de antemão, mas não me passa pela cabeça que um vereador possa alterar, de moto próprio, uma vírgula sequer de um órgão submetido ao Poder Executivo. Reli o que escrevi apenas nesse artigo. Mas recordo que a batalha travada daqui se estendeu por um bom tempo. Rememorar, por sinal, é um indicativo de que nunca depus as armas. Hoje, continuo convencida de que estava certa.

Margaridas em marcha

A Marcha das Margaridas é a maior ação de mulheres da América Latina e acontece em Brasília, sempre no dia 12 de agosto. A data escolhida lembra a morte da trabalhadora rural e líder sindicalista Margarida Maria Alves, assassinada em 1983 quando lutava pelos direitos dos trabalhadores na Paraíba.

A partir deste contexto, temas do cotidiano feminino no meio rural e denúncias dos fatores políticos, sociais, culturais e econômicos que determinam as situações de fome, pobreza e violência em que vivem as mulheres, principalmente as trabalhadoras rurais, são transformadas em propostas de políticas públicas que melhor atendem as demandas das agricultoras e agricultores familiares de todo o país, a serem levadas a Brasília.

A garantia da soberania alimentar e da preservação de sementes crioulas, dos ecossistemas e da biodiversidade estão na base das motivações.

A ação é organizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag).

Chernobyl

Em 26 de abril de 1986, uma combinação de erros levou ao maior desastre nuclear da história. O reator número quatro explodiu na central nuclear de Chernobyl, na cidade de Pripyat (atual território da Ucrânia), causando um incêndio que vitimou pessoas e contaminou o ar e o solo em várias regiões da Ucrânia, Rússia e Bielorrússia (hoje Belarus).

Durante anos as autoridades soviéticas tentaram minimizar as consequências da catástrofe para a vida e a saúde. Aos médicos, por exemplo, foi proibido escrever no prontuário de seus pacientes qualquer coisa que soasse à palavra radiação, e muito menos que isso constasse nos atestados de óbito, como denunciaram depois ativistas e especialistas.

Em 2000, em seu primeiro relatório sobre o acidente, o Comitê Científico da ONU sobre os Efeitos da Radiação Nuclear relatou haver trinta mortos. Todos eles eram policiais, operários, engenheiros ou bombeiros que perderam a vida como consequência mais ou menos direta da explosão. Cinco anos depois, outro relatório elaborado por especialistas da ONU, pela Organização Mundial da Saúde e pela Organização Internacional de Energia Atômica apontaram que quatro mil pessoas tinham morrido, e que muito provavelmente outras cinco mil morreriam anos depois como consequência de enfermidades relacionadas à radiação.

A cidade ucraniana de Pripyat nos últimos tempos foi considerada um ícone, um lembrete assustadoramente estranho de quão frágil é a civilização.

Os sete deuses da felicidade

Ainda mexendo nos meus alfarrábios, encontro um papel amarelado pelo tempo. Não preciso abrir para saber do que se trata: um folheto explicativo sobre cada um dos Shichi Fukujin ou, traduzindo, dos Sete Deuses da Felicidade ou da Sorte. O presente me foi dado por Margit Jonas, húngara de nascimento e cidadã do mundo, exilada que foi de sua terra natal. Conheci Margit já no ocaso de sua vida. Contudo, o curto período de convivência, marcado por trocas de correspondência e uma breve hospedagem em sua casa - onde me foi possível conhecer e estreitar laços com seus filhos e netos, nunca foram esquecidos por mim.

Mas, quem são esses deuses?

Shichi Fukujin é um grupo de divindades que representam diferentes tipos de sorte e virtudes. Dentre estes, apenas um tem suas origens no Japão, o Ebisu (Deus da Pesca e da Felicidade). Os demais, são oriundos de divindades chineses e indianas, que foram assimilados ao longo dos séculos pela mitologia e cultura japonesa. São eles: Benten ou Benzaiten (Deusa das Artes e da Música); Bishamon (Deus das Batalhas e da Justiça); Daikoku (Deus da Agricultura); Hotei (Deus da boa Saúde); Jurojin (Deus da Vida e da Eterna Juventude) e Fukurokuju (Deus da Sabedoria).

De acordo a lenda japonesa, durante a época do Ano Novo, os Sete Deuses da Sorte viajam juntos em um navio carregado de tesouro, conhecido como Takarabune (navio do tesouro), com o propósito de distribuir fortuna e prosperidade ao povo.

Aliás, no Japão, existem muito santuários que são dedicados aos Sete Deuses da Sorte e que podem ser visitados em qualquer época do ano. 

Numa próxima oportunidade retomo ao tema.

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