Velhas máscara, novas faces

Edição: 651 Publicado por: Marilda Vivas em 12/06/2019 as 08:27

 
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Lava Jato: provar do próprio veneno

Domingo (11/6).

A revelação de mensagens privadas trocadas entre o Ministério Público e o juiz Sergio Moro, através do site russo Telegran, de mensagens seguras e criptografadas, cai feito bomba no colo do brasileiro. E isso acontece justo no momento em que, pelo menos para uma boa parcela do povo, a natureza tendenciosa do processo movido contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para impedi-lo de retornar ao jogo político, não era segredo para ninguém. O próprio juiz Moro já havia admitido que seu veredicto (de condenação), por falta de provas, baseava-se apenas em sua convicção, enterrando de vez o favoritismo de Lula na eleição presidencial de 2018.

Segundo o Intercept, embora tenham assegurado por muito tempo serem apolíticos e movidos apenas pela luta contra a corrupção, os promotores de” Lava Jato “tramaram, de fato, formas de impedir o retorno ao poder de Lula e seu Partido dos Trabalhadores. (PT) “.

Em um primeiro momento, a exposição das dúvidas dos promotores sobre as provas da acusação contra Lula e uma série de mensagens ilustrando uma motivação estritamente política motivaram uma série de protestos e pedidos de uma investigação completa sobre o que pode vir a ser “o maior escândalo institucional da história da República”. Não só de partidários de Lula, diga-se. A serem confirmadas as informações trazidas à tona, a operação Lava Jato se revelará uma grande farsa, afirmam.

Como acentuam alguns veículos de informação, desde que foi nomeado ministro da Justiça por serviços prestados ao presidente de extrema direita e ao poder econômico, o juiz Sérgio Moro sempre criticou “a não identificação da fonte (...) responsável pela pirataria de laptops de promotores”. No entanto, ele, que no passado não hesitara em transgredir o direito ao liderar sua cruzada anti-Lula, não se fez de rogado ao distribuir para a imprensa grampos que ele mesmo não tinha o direito de pedir.

Que o Brasil não é um país para amadores, todos nós sabemos: não é mesmo.

Atlas da Violência 2019

Entre as muitas conclusões que apresenta, a publicação revela que o número de homicídios cometidos com armas de fogo, que crescia 5,44% anuais nos quatorze anos anteriores ao Estatuto do Desarmamento, decaiu para 0,85% nos quatorze anos posteriores.

Segundo os dados oficiais do Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde (SIM/MS), em 2017 houve 65.602 homicídios no Brasil, o que equivale a uma taxa de aproximadamente 31,6 mortes para cada cem mil habitantes. Trata-se do maior nível histórico de letalidade violenta intencional no país.

Tal problema ganha contornos ainda mais dramáticos quando levamos em conta que a violência letal acomete principalmente a população jovem. Para se ter uma ideia, 59,1% do total de óbitos de homens entre 15 a 19 anos de idade são ocasionados por homicídio.

Segundo os pesquisadores, a alta letalidade de jovens gera fortes implicações, inclusive sobre o desenvolvimento econômico e social. A falta de oportunidades, que levava 23% dos jovens no país a não estarem estudando nem trabalhando em 2017, aliada à mortalidade precoce da juventude em consequência da violência, impõem severas consequências sobre o futuro da nação. Para além da questão da juventude, os dados descritos nesse relatório trazem algumas evidências de um processo extremamente preocupante nos últimos anos: o aumento da violência letal contra públicos específicos, incluindo negros, população LGBTI, e mulheres, nos casos de feminicídio.

O item 8 (Armas de Fogo, pp. 78-82), do relatório produzido, merece atenção especial do leitor. Segundo seus autores, há consenso na literatura científica internacional sobre os efeitos perniciosos da difusão de armas de fogo na sociedade. Está lá registrado: “a quantidade de armas tem efeito positivo sobre os homicídios, sobre a violência letal e sobre alguns outros tipos de crime”.

Em 2016, 56 pesquisadores brasileiros e estrangeiros, que produziram e publicaram pesquisas sobre os efeitos da arma de fogo na sociedade foram unânimes em afirmar que “O relaxamento da atual legislação [o Estatuto do Desarmamento] sobre o controle do acesso às armas de fogo implicará mais mortes e ainda mais insegurança no país”.

O “Atlas da Violência 2019” é produzido pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Nesta edição, os dados divulgados referem-se ao período de 2007 a 2017, considerando as informações mais recentes tabuladas pelo Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e divulgadas no site do Departamento de Informática do SUS – DATASUS. em miúdos, na metodologia aplicada os números de óbitos são contabilizados a partir da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) como eventos que envolvem agressões e óbitos provocados por intervenção legal (códigos X85-Y09 e Y35-Y36). A Classificação Internacional de Doenças é publicada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e padroniza a codificação de doenças e mortalidade por causas externas em todo o mundo desde 1893. Leia mais em: www.forumseguranca.org.br/publicacoes/atlas-da-violencia-2019/

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