“Por nós mesmos”.

Edição: 653 Publicado por: Gilberto Monteiro em 26/06/2019 as 08:08

 
Leitura sugerida

Na edição passada dei destaque a duas frases lidas em camisetas na Fliva, uma dizia: “- Exausta porém plena” e a outra “por nós mesmos”. Brincando com os leitores fiz a proposta de usarem interpretações para frases tão diferentes.

Hoje, um sábado de manhã fria, mas ensolarada, passo pela subida do quartel e observo alguma mudança. A pracinha dali está diferente. Sempre abandonada ela mais parecia cachorro magro caído de mudança: sem dono, desprovida de cuidados, faminta de água. Carente de verde e de beleza, ela era um acinte a qualquer olhar.

Uma pessoa me chama, o assunto é a pracinha. Moradores estão promovendo uma transformação: diversos tipos de arbustos e plantas já estão viçando. O carrascal de antes já não existe mais. A terra vermelha e pisoteada, disse adeus.

Uma das mulheres passa a explicar a iniciativa, fala um pouco e constatando a minha satisfação, o meu pleno apoio, se anima. Solicita a doação de alguns metros quadrados de grama. Querem gramar o espaço e assim torná-lo cada vez mais agradável. Ela continua: mais descanso para os olhos e aí me explica “ o verde todos sabem, existe para acalmar o olhar”.

Voltarei lá, com a ajuda para um pouco de grama e fico pensando no tempo que se esvai entre os ensinamentos de um professor de Ciências e a ação a ser desenvolvida pelos alunos que se tornam adultos. Uma frase que pronunciei tantas vezes em sala de aula é, agora, me devolvida como ensinamento. Todo professor deveria ser mágico e aí os problemas se resolveriam no imediato da aula e não, dezenas de anos após.

Preciso voltar ao início do texto de hoje, ou seja, às frases: “Exausta porém plena” e “por nós mesmos” e a brincadeira sugerida aos leitores sobre a interpretação das mesmas e é aí que me surge o que conversar com a moradora durante a minha volta. Poderia sugerir que ali se pusesse uma faixa “por nós mesmos” já que a iniciativa e o trabalho vem sendo realizado por eles. Também um segundo sentido, o de que o ajardinamento será benéfico a eles, logo “por nós mesmos”.

Penso e repenso e não darei a sugestão. A iniciativa é deles, logo, o nome de batismo do espaço deve ser deles.

Curiosamente aquela praça já teve um nome, coronel Newton Barra. Até um busto dele ficava ali. No período da ditadura foi retirado de lá ou roubado. Quem sabe agora uma tarefa para os moradores, a de descobrir onde foi parar o busto.

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