Um giro de notícias

Edição: 654 Publicado por: Marilda Vivas em 03/07/2019 as 08:06

 
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Stonewall: resistência, transformação e luta

A história de luta do movimento LGBT no Brasil e no mundo passa, necessariamente, por um certo bar de nome Stonewall In, localizado no bairro do Greenwich Village, em Nova Iorque, Estados Unidos.

No início da década de 1960, relações entre pessoas do mesmo sexo eram consideradas crime nos Estados Unidos. Em 1969, alguns estados já tinham derrubado essa lei, mas Nova Iorque permanecia inflexível. Foi nesse clima que, há exatos cinquenta anos, aconteceu a Revolta de Stonewall.

Em uma época em que bares eram proibidos de vender bebidas alcoólicas para homossexuais e as pessoas eram obrigadas por lei a usar roupas “apropriadas” ao seu sexo biológico (pelo menos três peças, segundo a lei), o bar Stonewall Inn, controlado pela máfia italiana, era um dos poucos lugares seguros para a população gay. Graças a um acordo mantido com a polícia, naquele espaço as bebidas alcoólicas eram vendidas para quem quisesse comprar.

A noite do dia 28 de junho de 1969, porém, seria diferente. Descumprindo o acordo, a polícia entrou no bar no momento de maior movimento ameaçando prender funcionários e clientes. Decididos a não mais sofrer abuso policial, gays, lésbicas, transexuais e drag queens que frequentavam o bar decidiram que naquela noite não fugiriam. A reação dos frequentadores e vizinhos do bar colocou a polícia em desvantagem. Enquanto as pessoas eram levadas para a viatura, uma multidão se reuniu em frente ao bar e começou a jogar moedas, garrafas e outros objetos na polícia. Não demorou para o acontecimento se tornar um verdadeiro levante. A prisão de treze pessoas só fez acirrar os protestos a favor dos direitos da comunidade gay. Foram cinco dias diretos de embates.

A partir de então, liderados principalmente por mulheres trans e lésbicas, o movimento LGBT se consolidou e ganhou força nos Estados Unidos e no mundo.

O principal nome da Revolta de Stonewall foi o da drag queen transexual Marsha P. Johnson. Há, na Netflix, um documentário sobre ela, mas também há uma série de outros filmes sobre alguns dos principais ativistas LGBT do mundo. 

Não à toa, junho é o mês da maioria das Paradas do Orgulho LGBT no mundo, e o dia 28 virou o Dia do Orgulho LGBTI.

 

Um pouco mais

O evento ocorrido no bar Stonewall Inn, em 28 de junho de 1969, é considerado o marco do movimento de liberação gay e o momento em que o ativismo pelos direitos LGBT ganha o debate público e as ruas.

No primeiro ano da revolta de Stonewall, houve manifestações LGBT em Nova York, Los Angeles, San Francisco e Chicago, para relembrar a data. Em Nova York, os manifestantes caminharam 51 quarteirões, do East Village até o Central Park. No ano seguinte, a marcha para relembrar Stonewall chegaria à Europa, acontecendo também em Londres, em Paris, na parte ocidental de Berlim e em Estocolmo.

De lá para cá, o movimento LGBT avançou em muitos sentidos, mas ainda caminha distante do que idealizaram há cinquenta anos aquelas pessoas.

O Brasil, por exemplo, continua sendo o país que mais assassina LGBT no mundo. Nossa juventude continua sendo expulsa de casa por assumir comportamentos que não seja o heterocissexual. Não, as coisas não são fáceis por aqui. Não só no ambiente familiar. Tampouco são fáceis nos locais de estudo, trabalho e lazer. Adoecimento físico e mental, distúrbios psicológicos...

O conservadorismo para o qual estamos sendo cada vez mais empurrados (eu, você que me lê, o Brasil como um todo) está a merecer leituras mais aprofundadas.  

 

‘Pequeno Stonewall Inn’ brasileiro

Quatorze anos depois da revolta de Stonewall haveria uma relação mais direta daquele evento com o movimento LGBT brasileiro. Em 19 de agosto de 1983, um protesto que ocorreria em um bar frequentado por mulheres gay em São Paulo, o Ferros’s Bar, ganharia o nome de “O pequeno Stonewall Inn” brasileiro.

Na véspera, o dono do bar no centro de São Paulo (anos depois o local abrigaria outro famoso ponto da noite paulistana, o Xingu), que era referência para a comunidade lésbica, havia chamado a polícia e impedido algumas mulheres de vender no local uma publicação chamada “ChanacomChana”, porque esta “atentava contra os bons costumes”.

No dia seguinte, várias frequentadoras e ativistas invadiram o Ferro’s para ler ali um manifesto em defesa dos direitos das lésbicas.

Em 2003, a data deste protesto, 19 de agosto, se tornaria o Dia do Orgulho Lésbico no Brasil.

(Fonte: www.bbc.com/portuguese/geral-48432563)

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