Marquês de Valença

Edição: 654 Publicado por: Rodrigo Magalhães Teixeira em 03/07/2019 as 09:17

 
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A Estêvão Ribeiro de Resende fora concedido o mais alto título nobiliárquico aos aristocratas rurais do extenso município de Valença: Marquês. Uma das figuras mais prestigiadas no cenário nacional durante os períodos colonial e imperial, até 1842 ele ocupou o primeiro lugar na antiga comarca de Valença, onde se achavam todas as suas fazendas. Recebeu os títulos de Barão (com grandeza) e de Conde no reinado de D. Pedro I, e de Marquês por D. Pedro II, escolhendo a cidade que elegera como o seu principal domicílio para compor o pomposo título. Em retribuição, em 31 de dezembro de 1943 o topônimo Valença foi modificado para Marquês de Valença (dezesseis anos depois o nome da cidade voltou a ser simplesmente Valença).

Mineiro, nasceu em 1777, na fazenda da Cachoeira, termo de São João Del-Rei, da Comarca do Rio das Mortes. Era filho do Coronel Severino Ribeiro e de Josefa Maria de Resende. Contam que já dominava o latim, o francês e o italiano, além de retórica e filosofia, matérias que estudou, profundamente, antes de seguir para Coimbra, onde, em 1782, formou-se em leis.

Em 1810, regressou ao Brasil e logo foi nomeado para o cargo de juiz de fora da cidade de São Paulo. Casou-se com Ilídia Mafalda de Sousa Queiroz, filha do brigadeiro Luiz Antônio de Sousa Queiroz, fidalgo português residente em São Paulo que chegou a ser considerado como o dono da maior fortuna daquela província. Por Decreto de 11 de abril de 1812 lhe foi concedida a licença para casar. Por esta ocasião a pretendente tinha apenas sete anos de idade e o pretendente, curiosamente, tinha 35 anos, cinco filhos naturais, legitimados e, dois deles, nascidos depois desta licença.

Em 1822, fez parte da comitiva do Príncipe Regente Dom Pedro I, de quem era amigo, em sua visita a Minas Gerais, ocasião em que foi nomeado Secretário de Estado e, sua esposa Ilídia Mafalda, virou dama de honra da Imperatriz. Ocupou diversos cargos relevantes, como por exemplo: Desembargador do Paço, Desembargador da Relação da Bahia, Desembargador da Casa de Suplicação, Deputado Constituinte e à Assembleia Geral Legislativa, Intendente-Geral de Polícia da Corte e do Estado do Brasil, Ministro de Estado, Conselheiro de Estado, Conselheiro da Casa Imperial, Senador do Império, Presidente de Província e oitavo presidente do Senado.

Foi ele quem fundou a Fazenda das Coroas, nas proximidades de Pentagna, uma vasta propriedade que deu origem ao atual povoado de Coroas. Consta que fundou também a Fazenda de São Luiz, às margens do rio Preto, em Parapeúna. E na cidade de Valença possuía magnífico palacete, por detrás da atual catedral, onde em 1848, D. Pedro II, em visita aos ministros fluminenses, recebeu fidalga hospedagem.

O Marquês de Valença deixou do seu casamento com Ilídia Mafalda onze filhos, além de outros cinco que teve antes do casamento, e que foram legitimados. Dos seus dezesseis filhos, destaca-se Pedro Ribeiro de Rezende - o 2º Barão de Valença!

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