A origem do nome Valença

Edição: 656 Publicado por: Rodrigo Magalhães Teixeira em 17/07/2019 as 08:48

 
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Tradicionalmente acredita-se que o nome do atual município de Valença é uma homenagem ao vice-rei do Brasil (1800 a 1805), dom Fernando José de Portugal e Castro, que pertencia à “Casa de Valença”, em Portugal. Foi ele quem, em 1801, efetivamente providenciou recursos para a constituição do aldeamento a cargo do fazendeiro José Rodrigues da Cruz, que deu origem à cidade de Valença.

Importantes autores regionais como Luiz Damasceno Ferreira e Leoni Iório passaram a repetir a origem do nome do aldeamento atrelada à então figura do vice-rei dom Fernando, inspirados em Joaquim Norberto de Souza Silva, o primeiro a escrever da seguinte forma: “Fundou-se pois a capelinha, fraco tributo de uma povoação ainda nascente, tendo por orago a virgem sob a invocação de Nossa Senhora da Glória, tomando a aldeia o nome de Valença em honra a D. Fernando José de Portugal, depois marques de Aguiar, descendente dos nobres de Valença” (Memória histórica e documentada das aldeias de índios no Rio de Janeiro - Revista do Instituto Histórico e Geográfico, 1854, vol. 17, pp. 249-262).

Dom Fernando nasceu em Lisboa, em 4 de dezembro de 1752. Era filho de dom José de Portugal e Castro, o 3º marquês de Valença. Formou-se em leis pela Universidade de Coimbra e seguiu carreira na magistratura, tendo sido designado para servir na Relação do Porto e na Casa da Suplicação. Em 1788, foi nomeado governador e capitão-general da Bahia, cargo no qual permaneceu até 1800, quando assumiu o vice-reinado do Estado do Brasil.

Ao encerrar o seu vice-reinado, regressou a Portugal, onde foi designado presidente do Conselho Ultramarino e conselheiro de Estado. Retornou ao Brasil com a comitiva da família real, em 1808. Durante a administração de D. João VI assumiu diversos cargos de destaque, chegando a exercer a função de ministro assistente do Real Gabinete quatro dias após a chegada da corte ao Brasil. Nomeado para a presidência do Erário Régio, assumiu também a Secretaria dos Negócios do Brasil e a dos Negócios Estrangeiros e da Guerra. Foi membro do Conselho da Fazenda, presidente da Junta do Comércio, Agricultura, Fábricas e Navegação, além de provedor das obras da Casa Real.

Foi agraciado por dom João VI com o título nobiliárquico de conde de Aguiar, por carta régia de 17 de dezembro de 1808, e com o de marquês em 1813. Casou-se no Rio de Janeiro com sua sobrinha Maria Francisca de Portugal e Castro (filha de seu irmão dom Afonso), que por sua vez foi dama da Rainha de Portugal, D. Maria I, e camareira da Princesa, depois Imperatriz do Brasil, D. Leopoldina. O casal não deixou descendência.

Dom Fernando José de Portugal e Castro faleceu aos 24 de janeiro de 1817, com 64 anos, no Rio de Janeiro. Contam que morreu em tal estado de pobreza que nem deixou dinheiro suficiente para o custeio do funeral. Ele foi sepultado na tarde do dia 25, na Igreja de São Francisco de Paula.

 

ERRATA: Por um lapso em nosso último artigo desta coluna (Edição 654) ocorreu um erro de digitação que necessita de retificação: onde aparece grafado 1782 como o ano de formatura em leis do Marquês de Valença, leia-se 1803!

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