Todos morreremos.

Edição: 657 Publicado por: Redação em 24/07/2019 as 09:32

 
Leitura sugerida

Todos morreremos. É fato. Porém, certas mortes nos atingem muito mais do que um fato qualquer. A morte de um ente querido é dolorida e deixa vazios e um luto de difícil superação, mas a nossas famílias pertence. Por outro lado, há certas mortes que transcendem o amor de familiares. Referimo-nos àquelas pessoas que por suas lutas e atuações, em vida, alcançam tal nível de admiração e respeito, que ao partirem nos deixam a impressão de que muito mais se esvaiu do que simplesmente uma vida.

No domingo, dia 21 de julho, Valença perdeu uma personalidade que mais que um cidadão, foi um respeitável resistente. E viveu a sua vida por uma luta inglória. A de se bater contra as agruras do capitalismo selvagem e a ganância do imperialismo das Nações que vitimavam países do terceiro Mundo, à custa do sangue, do suor e das lágrimas de populações exploradas ao máximo. Ney Fernandes foi guerreiro. Batalhou nas trincheiras das injustiças sociais que sempre denunciou, e atuou nos campos das ideias, aqui mesmo, em nossas páginas. Com sua morte, a esquerda brasileira perde um representante dos mais autênticos. Porém, Valença perde mais. Perdeu o homem indignado, mas sempre respeitador da lei e da ordem, exemplo de vida, reserva moral de toda uma geração. Um homem de respeito e de respeitável trajetória. Militante membro da União Operária, comerciante, contador, dirigente partidário e de movimentos sociais, candidato a cargos públicos, secretário de Fazenda, chefe de família exemplar e colaborador do Jornal Local, do qual foi incentivador desde o nosso começo. Ney Fernandes se foi deixando para trás um povo que tanto carece de lideranças verdadeiras e, como ele, autênticas. Bem-aventurados, os parentes, amigos e partidários de suas ideias e opiniões, pela oportunidade do convívio sadio e maduro que sempre proporcionou aos que o tinham próximo.

Firme e resoluto nas suas ideias, Ney Fernandes já está fazendo falta ao debate. Sobretudo, neste momento em que testemunhamos, nas redes sociais, o uso indiscriminado do discurso de um lado só. Searas onde quem vier a ser crítico, logo é tachado de ser alinhado ao inimigo. Tática covarde e triste, que desnuda o fato de que o debate carece de fundamentais argumentações que sustentem as ideias. Fatos e contrafatos, estapafúrdios que possam ser, são publicados como verdades absolutas das quais não se admite crítica ou contestação, mesmo que não sejam verossímeis fatos e teses citadas. O radicalismo que daí provém, não quer admitir o pensamento diverso, ou a reflexão dos fatos, quanto mais reconhecer contextualizações equivocadas ou absurdos transbordantes.

Ney Fernandes fará muita falta, tanto aos de esquerda, quanto aos de direita, pois a evolução do seu pensamento, muitas vezes expressado em nossas páginas, já indicava que o país muito mais que ir à esquerda ou à direita, precisa ir para frente, respeitando seu povo e sua soberania. Este o primeiro caminho a seguir.

0 comentários

avatar
Escreva seu comentário...
Seu nome...
Seu email...