Os jurássicos

Edição: 659 Publicado por: Aloisio Melo Morais em 07/08/2019 as 09:49

 
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Passa ano, entra ano e paleontólogos de todo o mundo continuam a descobrir novos fósseis de dinossauros. Não apenas os cientistas, mas também nós, pobres mortais, temos nossos interesses por esses bichos. Afinal, esses monstros habitaram a Terra em várias épocas, há 250 milhões de anos, e sempre, temos curiosidades em relação a eles.

Constatem vocês, leitor e leitora, que a palavra final nesse assunto é sempre dada por cientistas e não por nós. A mais recente descoberta vem do Museu de História Natural de Milão na Itália. Lá, Peter Dockrill, paleontólogo, descobriu um fóssil de um crocodilo gigante em Madagascar.

O antigão teria vivido há 170 milhões de anos (você acredita?) e media cerca de sete metros, pesava mil quilos e tinha dentes de 15 centímetros. Até aí, tudo bem. Porque a arcada dentária do animal foi achada, desenterrada e medida. O que intriga é a precisão com que esse grandalhão teria vivido em milhões de anos atrás!

E por aí afora vão as descobertas listadas. Os experts no assunto fizeram, inclusive, uma régua de medida, onde os períodos geológicos ficam divididos. Assim: tirássico de 250 a 200 milhões de anos atrás, jurássico (200 a 145), cretáceo (145 a 65), e, o período recente, de 65 milhões até o ano presente).

É uma certeza incrível, duvidemos ou não deles. Enquanto isso, descobertas são anunciadas e catalogadas. Em 1923, outro cientista, de um museu americano, Peter Keisen, descobriu o Velociraptor, um dinossauro cretáceo e ágil, que viveu entre 85 a 70 milhões de anos atrás, na Mongólia.

Esse bicho foi dos mais temidos: ele não perguntava antes se podia comer ou não a vítima. Simplesmente a empurrava goela abaixo sem dar satisfação a ninguém. Enquanto essa comilança geral promovida por esses monstros aterrorizava a Terra, nós, humanos ficávamos à mercê dessa carnificina injusta.

Somos até hoje, conforme medida da escala científica, bichos em extinção. Isso porque somos jurássicos por nossos comportamentos e pela idade que possuímos. Estamos mais para 65 milhões ou mais de anos atrás, do que para a idade atual. Imagino o que dirão de nós os paleontólogos, quando, a alguns milhões de anos no futuro, descobrirem os nossos fósseis enterrados.

Descreverão eles, pela análise criteriosa dos nossos ossos, que éramos presas fáceis. Que éramos criaturas preguiçosas, metidas a espertas e bobas. Com certeza, afirmarão em seus estudos escritos que o homem dessa nossa época foi presa fácil dos políticos.

E, com certeza, afirmarão, ao emendar nossos pedaços fósseis para compor o conjunto do esqueleto, que tínhamos rabo. E quanto mais falantes fôssemos, maiores eram os nossos rabos. Aliás, dirão que esses atributos eram para nos manter de pé, em equilíbrio no mundo em que vivíamos.

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