É sistemático.

Edição: 660 Publicado por: Redação em 14/08/2019 as 07:58

 
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É sistemático. Parece que temos vocação para o desastre. E de tragédia em tragédia, somos obrigados a reconhecer nossas piores mazelas sociais. Prédios vem abaixo; passarelas desabam sob a imprudência de motoristas profissionais; ciclovia sob a orla carioca é levada pela ressaca do mar; barragens se rompem; museu e prédios históricos são consumidos por incêndios; viadutos cedem; helicópteros e aviões caem; carro alegórico do Carnaval atropela; casa noturna superlotada pega fogo, sem que houvesse saída de emergência; e as estradas dissolvem-se em buracos sem fim.

Infelizmente, em que pesem incompetências pontuais ou de nossos engenheiros, a serviço de empresas ávidas pelo lucro das obras licitadas pelo país afora, o que se detém de tantas tragédias ou quase, é a falência do poder instituído de fiscalizar e exercer a mão pesada dos governos. Por outro lado, percebe-se que a atividade de poder consequente à política impõe certas culturas do absurdo. A mais visível e recorrente, causa maior de nossas tragédias cotidianas é a crônica falta de manutenção e revisão do que é feito e implantado. Cuidado que o particular sempre tem por hábito, para evitar prejuízos e desgraças aos seus mais à frente, o público, em geral, não quer investir ou gastar em tais cuidados, prefere construir e inaugurar novas obras, torcendo para que a bomba relógio estoure no colo de outro.

O país precisa mudar e parte da mudança deve ser feita pela qualidade da responsabilidade do homem e da mulher investidos em cargos públicos. Mudar a maneira de atuar que deixa para depois da tragédia a atuação saneadora ou corretiva. É preciso um basta à incompetência decorrente da irresponsabilidade. É preciso avançar na escolha de prioridades e a manutenção do que se encontrou esteja à frente da vaidade de se construir, visando os holofotes e os lucros políticos de cada nova ação de governo.

O desenvolvimento econômico passa pela boa gestão financeira e o agente investido da administração pública precisa, mais do que nunca entender, como entende o administrador privado, que o patrimônio que é de todos e que ele herda momentaneamente, tem de ser bem mantido, para sempre estar valorizado. Com isto, naturalmente, a população perceberá a competência daquele gestor, pois de que adianta inaugurar vários equipamentos novos, se, por outro lado, a olhos vistos parte significativa do patrimônio, que em grande parte exerce forte apelo ao valor sentimental de um povo, está, por assim dizer, caindo aos pedaços. Mais reflexão e menos política, seria de bom tom num novo Brasil.

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