Rio Preto reabre teatro

Edição: 663 Publicado por: Aloisio Melo Morais em 04/09/2019 as 08:24

 
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O Salão Paroquial de Rio Preto, um tradicional espaço cultural e de teatro da cidade foi reaberto neste último final de semana (30/8), depois de seis anos paralisado. O evento foi uma grande festa comemorativa da Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla.

Promovido pela APAE de Rio Preto a semana comemorativa da pessoa deficiente teve desde passeios de trenzinho pela cidade, desfile de bandas musicais (Rio Preto e Santa Bárbara do Monte Verde), apresentação de coral e vídeos institucionais.

Além disso, houve palestra sobre “Doença Mental e Deficiência”, pelo especialista, médico psiquiatra José Murilo Campanati e as apresentações da Equipe Pérolas Cativar sobre o tema “Quem não deseja este abraço” e sobre a linguagem de “Libras”.

Mas o destaque da semana ficou por conta dos Alunos da Escola Cativar, com o Grupo de Teatro Novo, de Niterói, formado por quinze atores com Síndrome de Down. O responsável pelo teatro é o psicólogo Rubens Emerick Gripp. Durante 14 anos ele desenvolveu um trabalho com adolescentes e adultos da APAE naquela cidade.

A peça apresentada no Salão Paroquial de Rio Preto foi sobre “Saúde” e mostrou a desnecessidade de consumo de remédios e alertou para que as pessoas devam consumir alimentação saudável para não ficar doentes. A plateia, que lotou o teatro rio-pretano (250) aplaudiu de pé o trabalho dos atores especiais com síndrome de down.

Em 1999 Rubens Gripp criou o Grupo de Teatro Novo, uma companhia independente que atua com o objetivo de transmitir o valor da arte como instrumento do desenvolvimento de jovens com deficiência intelectual. As peças apresentadas pelos atores com síndrome de down são improvisadas, o que faz cada apresentação única.

Após cada espetáculo é apresentado o processo de criação da peça teatral e dos personagens. Também é explicada a criação do cenário, os figurinos e cada ator apresenta ao público sua experiência de vida. “Isso é feito sempre de maneira simples e informal” – explica Rubens Gripp.

Ele disse também que “as apresentações utilizam a criatividade e a arte como ferramentas de conscientização e de reflexão sobre a importância de temas ligados ao exercício da cidadania e à melhoria da qualidade de vida das pessoas, portadoras ou não de deficiência”- frisou.

Continuando, o psicólogo e diretor do grupo teatral esclareceu: “ nós queremos sensibilizar as empresas e seus funcionários para a inclusão das pessoas com deficiência no mercado de trabalho, desmitificar o estereótipo de uma arte sem estética e sem qualidade”, e finalizou:

“- Não queremos uma arte que considera a pessoa com deficiência dependente, menos criativa, menos inteligente e incapaz para a arte, não podendo desempenhar um papel como ator. Inclusão significa promover o respeito ao próximo. As pessoas saem das peças sem sentimento de pena, elas provocam uma mudança de olhar do público”.

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