Entrada gratuita

Edição: 663 Publicado por: Marilda Vivas em 04/09/2019 as 08:28

 
Leitura sugerida

Se falta quem escute o grito...

Há 25 anos, um processo de cidadania pedagógico provoca-nos a reflexão sobre o significado da Independência de um país: o Grito dos Excluídos.

Neste 7 de Setembro, o Grito d@s Excluíd@s 2019 reunirá movimentos populares, sindicais e estudantis em torno do tema “Este sistema não Vale! Lutamos por justiça, direitos e liberdade”. Trata-se de um audacioso e necessário debate acerca da destruição de Brumadinho, da Amazônia e da desastrosa política de destruição ambiental do governo federal. Como não se aliar às comunidades vitimadas de ações criminosas das grandes mineradoras, por citar?

O que não falta são motivos para gritar. E gritam os que vivem os reflexos dos cortes de recursos na Educação, Saúde, Habitação, além da redução da malha de proteção social, fundamental para oferecer o mínimo de dignidade àqueles que engrossam o mapa da fome.

Também não falta quem denuncie os crimes cometidos contra a comunidade LGBTI. Não cessam as denúncias contra os crimes motivados por intolerância religiosa. Não falta quem grite contra o desmonte da previdência social que alimenta o sistema financeiro em detrimento da precarização do trabalhador ou a escalada dos índices de desemprego. Como se esquecer do grito e do martírio dos imigrantes que se veem obrigados a deixar suas terras em função dos conflitos de ordem política e econômica, perfeitamente evitáveis? Há entre eles os refugiados climáticos, cuja ganância capitalista em nome do desenvolvimento lhes rouba o direito a ter um lugar. Ganância essa, igualmente responsável pela morte de centenas de pessoas e do desaparecimento de várias formas de vida em nome do lucro.

Há quem escute

Uma medida que prevê a criação de vagas de jovem aprendiz para adolescentes infratores, aprovada ontem, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), provocou a insatisfação da ala conservadora no governo do Rio. De autoria das deputadas Dani Monteiro e Mônica Francisco, ambas do PSOL, o Projeto de Lei 940/2019 determina que ao menos 500 postos devem ser abertos após a sanção do governador Wilson Witzel.

As vagas atenderão, de acordo com o texto, adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade ou risco social, vindos de família com renda per capita de até um salário mínimo, que estejam estudando no ensino fundamental ou médio, na rede pública. Segundo o projeto, os órgãos públicos devem priorizar os jovens que estejam em cumprimento de medida socioeducativa. (https://odia.ig.com.br; 30/08/2019).

 

Exposição - CCBB-RJ

“Raiz – Ai Weiwei” é a primeira exibição no Brasil do artista chinês, considerado um dos principais nomes da cena contemporânea mundial. A mostra tem curadoria de Marcello Dantas e reúne alguns dos mais icônicos trabalhos de Ai Weiwei, célebres por expressar a tensão entre o mundo contemporâneo e os modos tradicionais chineses de pensamento e produção. Convidado pelo curador, o artista desvenda, ainda, a cultura brasileira e cria obras que representam a biodiversidade, a paisagem humana e a criatividade local.

Local: CCBB. Rua Primeiro de Março, 66 - Centro - Rio de Janeiro

Parte da mostra também poderá ser vista no Paço Imperial, na Praça XV.

Funcionamento: de quarta a segunda-feira, das 9h às 21h.

Encerramento: 4 de novembro. 

 

Weiwei e Snowden

“Panda to Panda” é um dos trabalhos mais polêmicos da exposição. Conforme o texto de divulgação, um urso panda de pelúcia, aparentemente inofensivo está ligado a um dos maiores escândalos de espionagem dos Estados Unidos. Weiwei se juntou a Edward Snowden, ex-administrador de sistemas da CIA, e destruíram juntos uma série de documentos importantes sobre o sistema de vigilância global realizado pelos norte-americanos. Os papeis picotados viraram enchimento de pandas de pelúcia e os vários bonecos desta produção foram comercializados normalmente. Um vídeo ao lado da obra mostra, com detalhes, todo o processo.

 

Sementes de porcelana

Logo no início da exposição, o visitante vai se deparar com um monte de sementes de girassol (“Sunflower seeds”). Parece real, mas esta é justamente uma das características de Weiwei em seu trabalho. Cada semente é uma pequena peça de porcelana, feita à mão, por 1,6 mil mulheres chinesas, em 2010. No total, elas produziram cerca de cem milhões de sementes. A instalação é uma crítica à produção em massa e à perda da individualidade.

 

Exposição a céu aberto

Na área externa do CCBB, está instalada a obra “Forever Bicycles” (“Bicicletas para sempre”). A instalação reúne 1.254 bicicletas, que se encaixam formando uma construção. Na infância, Ai Weiwei e sua família precisaram deixar o país devido à Revolução Cultural. Além de funcionar como uma lembrança dos dias de sua juventude, para o artista as bicicletas também são um símbolo de liberdade. A estrutura é impactante e pode ser vista pelo visitante como um cartão de visitas para Raiz – Ai Weiwei.

0 comentários

avatar
Escreva seu comentário...
Seu nome...
Seu email...