Nórdica Suécia

Edição: 664 Publicado por: Redação em 11/09/2019 as 08:53

 
Leitura sugerida

Neste mês de setembro, está fazendo exatos dez anos que o meio ambiente levou o editor, deste modesto veículo de comunicação do interior, à nórdica Suécia. Inspirado, num belo dia de distrações mundanas, ele, inadvertidamente, participou sem grandes ambições de um concurso de frases promovido pela empresa Tetra-Pak. O desafio era responder a pergunta “o que você faria para transformar o mundo?” Quase de bate-pronto, pois acabara de deixar os filhos no colégio, respondeu: “Olharia para o Mundo como se olha para um filho, disposto a cuidar, proteger e desenvolver para o bem”. Bingo! Esta frase foi classificada entre as cinco que foram premiadas com uma viagem com tudo pago a um dos países mais admiráveis do planeta, em vários sentidos. A oportunidade, então, além de luxuosos hotéis e restaurantes, proporcionou visitas técnicas a empresas comprometidas com o meio ambiente. Uma verdadeira inspiração ambiental. Mas de lá para cá, o que nos distancia do ideal sueco?

Para responder é preciso que se leve em consideração que os países europeus já ultrapassaram em muita a fase em que estamos. Hoje, a necessidade da madeira lhes é provida por florestas manejadas e fruto de reflorestamentos, pois a original há muito foi por terra. Por tal, em linhas gerais, a Amazônia é vista como um tesouro a ser invejado. Por outro lado, cá no nosso torrão, este nos revoltamos com mais um processo incessante quase de queimadas da paisagem de mata. Secular o hábito que nasce junto com nossa aldeia. Antes do homem branco e sua economia de exploração das riquezas naturais, aqui se achegar, Valença e suas redondezas eram áreas cobertas pela Mata Atlântica. Os índios por estas matas viviam sem nada reclamar. Por entre os caminhos, surgiram os fazendeiros autorizados a aldear os silvícolas. E com a Aldeia de Valença, fazendeiros e mais fazendeiros foram chegando para obter riquezas e a primeira ação a fazer era derrubar a mata e tal qual o que ocorre, hoje, na Amazônia, retirada a madeira que interessava, o fogo preparava a terra para as culturas de sobrevivência e de ganho comercial. E assim, forjou-se nossa paisagem. Com o sucesso do ciclo cafeeiro, então, o desmate de Valença e região foi feito pela causa de interesse nacional. E da riqueza advieram os casarões de fazenda, os solares na cidade, a estrada de ferro e benfeitorias outras. Mas, passado o ciclo, a terra se fez arrasada e sem incentivo nunca mais reflorestada. Os morros sem fim da paisagem vista das estradas, cobertos de mato que não é a natural, mas sim a deixada para trás, e agora, anualmente, se quer queimada, como se outra cultura ou a mesma, fosse ser refeita do nada. Ou seja, os barões, o café e os escravos são página virada, mas o hábito de abertura das primeiras fazendas permaneceu: a queimada.

Talvez, um bom caminho para virarmos esta atual página de mentes secas, seria a introdução do valor de se reflorestar. Tendo como meta, porque não, de alcançar-se o que foi conseguido na terra outrora arrasada, transformada na Floresta da Tijuca, a partir da decisão e liderança de um homem de poder: dom Pedro II. Só teríamos a ganhar tendo todo o município reflorestado, onde o adequado manejo daria lucro certo aos donos da terra. É uma ideia.

0 comentários

avatar
Escreva seu comentário...
Seu nome...
Seu email...