ODE

Edição: 666 Publicado por: Gilberto Monteiro em 25/09/2019 as 08:31

 
Leitura sugerida

Ode é um elogio na forma de verso. Pra Valença, uma ode em prosa.

Valença é demais! Suas subidas e descidas numa topografia que de repente surpreende. Um céu amplo rebordado de morros. Suas construções ora de pau a pique, ora de tijolos, lembram diferentes tempos de sua história. Pelas ruas, toda uma gente simples, de toda cor, de diferentes afazeres ou até mesmo de nada a fazer.

Suas escolas que tanta gente alfabetizou. Que tanta gente impulsionou e conduziu pra frente. Suas igrejas de tanto sinos, de tantas crenças. Suas praças de tantos namoros.

O cemitério, de bordados mármores, mas também de covas simples, quase rasas. Seus velórios que são de muitos e, quase nunca, só da família.

Seu calçamento, quase todo de pedra, abrigando uma Academia de Letras que agora faz setenta anos.

Espaços livres que lhe dão charme. O Jardim de Cima cheio de vida, ensolarado, guardando uma preciosidade, o seu coreto. O Jardim de Baixo, quase lúgubre, que, na sua serventia de passagem, exibe tempos de se ouvir cantar lavadeiras - seu chafariz. Jardim de Baixo que nos induz a um caminhar mais lento, a um pensar poético, a uma tão esquecida meditação.

A rua dos Mineiros que de tudo nos dá notícias talvez acostumada que foi com os tropeiros que, indo e voltando entre a província e a corte, ali descansavam e proseavam. Rua eternamente passarela.

Os arredores que vão cultivando cada vez mais, suas escolas públicas que agora vivem um período de apogeu tal qual o já vivido pelo Theodorico Fonseca, pelo Instituto de Educação Deputado Luiz Pinto, pelo Colégio José Fonseca e pelo Benjamim Guimarães. A Escola Normal e o São José, ainda formando jovens. O prédio da mais que centenária Santa Casa, e, lá dentro, uma valiosa pinacoteca sobre os benfeitores e fundadores de Valença. Ali também a Biblioteca Municipal por onde passaram Sérgio Chapelin, Edney Silvestre e tantos jovens que se transformaram em pessoas ilustres. Ainda, um espaço de cultura.

Quanta coisa Valença detém! Associação Balbina Fonseca e a Fundação André Arcoverde, agora UNIFAA, levantando bandeiras do esporte, da educação, da cultura, do ensino superior. A Casa Lea Pentagna, no seu quase silêncio, abrigando diferentes formas de luta pró-valencianos.

Valença, guarda uma assistência médico hospitalar que a tantos municípios causa inveja. Seus distritos, em número de cinco, mais parecem pequenas e aconchegantes cidades, agora, ligados por anel rodoviário asfaltado.

As ruas de Valença contam histórias no seu nome: dos tropeiros, de uma fábrica de sabão, da Cova da Onça. A Dom André Arcoverde com sua belíssima alameda de oitis, às vezes, tão mal podados. A avenida Nilo Peçanha palco de desfiles de Carnaval, de 7 de Setembro.

Temos uma banda de música, de abnegado maestro, que nos arrepia com seus dobrados. Tantas fanfarras, escolares ou não. Detém, ainda, um cinema, coisa que apenas quatro ou cinco por cento das cidades brasileiras usufruem. Uma feira onde os pequenos produtores, ainda, nos oferecem legumes e verduras sem agrotóxicos. Valença é também uma bacia grandiosa de produção de leite.

Escola de música que, juntando jovens, vai lhes ensinando que a vida precisa ser tocada num compasso só.

Uma bela e acolhedora cidade. Tão bela, tão harmoniosa e acolhedora que vai inspirando muitos pintores, músicos, tantos cantores e tantos poetas que, apaziguando nossas almas e alimentando nossos sonhos nos estimulam à vida. Para uma cidade assim, talvez soasse bem um quase apelido “Cidade da Poesia”.

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