A situação da aldeia é linda, mas falta água!

Edição: 666 Publicado por: Rodrigo Magalhães Teixeira em 25/09/2019 as 09:56

 
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Aos 22 de janeiro de 1835, o inglês Charles James Fox Banbury saiu de São João del-Rei com destino ao Rio de Janeiro. No dia 29 alcançou Valença que, segundo registrou, era uma bela aldeia onde encontrou “muito melhores acomodações e mais cortesia do que de costume...” O inglês permaneceu em Valença por dois dias e se encantou com a incipiente povoação:

“Permaneci aqui todo o dia seguinte. A situação da aldeia é linda: fica numa planície fértil, de pequena extensão, quase cercada de colinas dispostas em forma de anfiteatro que são, em parte, cultivada, porém, em geral, cobertas por espessas florestas, de grande beleza pela variedade de seus contornos. As colinas mais próximas, imediatamente para o sul da aldeia, são notadamente íngremes e escabrosas, e terminando em diversos outeirinhos distintos, em forma cônica e cobertas de mato. Para o norte, a vista termina a uma considerável distância com uma alta e pitoresca cadeia de montanhas, talvez a Serra Negra... A paisagem é mais variada do que costuma ser no interior do Brasil e os seus aspectos mais grandiosos são delicadamente realçados pela mistura de habitações e culturas...” Ao final, porém, fez uma observação importante que, agora no presente, constatamos se tratar de uma previsão acertada, condizente com a realidade valenciana: “(...) mas falta água...”

Lá se vão 184 anos da passagem do inglês Fox Banbury por Valença. A cidade continua bela, aprazível e excelente para se viver. Entretanto, a escassez de água afeta a qualidade de vida da população. Especialmente neste momento que a estiagem mais se agrava na região, além de faltar água com frequência, há o problema do mau cheiro da água e o aumento da porção de cloro utilizada para tratar essa água. E a população sofre com ardência nos olhos, diarreia, alergias e dificuldades respiratórias. Fala-se, inclusive, que essa excessiva dosagem de cloro na água pode causar doenças cancerígenas.

Por essa razão, excepcionalmente, optamos por um artigo mais opinativo do que informativo para estampar as páginas de nossa coluna na edição comemorativa dos 162 anos de Valença. É urgente que as autoridades municipais adotem políticas públicas que promovam a proteção dos mananciais, a ampliação das áreas permeáveis e a diminuição dos desperdícios. Do contrário, a permanência das futuras gerações na cidade restará comprometida!

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