Tempos modernos

Edição: 667 Publicado por: Redação em 02/10/2019 as 08:54

 
Leitura sugerida

Desde quando, nossas vidas passaram a ser este contínuo atropelo? Ou, desde quando, passamos a ser susceptíveis a tudo a nossa volta? Compromissos que se avolumam, obrigações que se colocam, informações úteis e inúteis aos montes, e discussões acirradas a cada irrelevância que destrinchasse como necessária. Estamos vivendo, seguramente um novo tempo. Não mais o de há pouco em que optávamos pela ordem das coisas a nossa volta para se viver. Passamos para o modo intenso, amassados por uma enxurrada de informações e sentenças. E aqui não estamos falando apenas do que envolva o jornalismo, mas a revolução orquestrada por redes sociais e aplicativos de toda sorte, fazendo, teoricamente, a vida melhor, mas, em realidade, num abrupto piscar de olhos.

O mundo atual, tão voltado às vantagens tecnológicas, no entanto, está nos modificando. Estamos ficando mais assertivos, práticos, ágeis, críticos de tudo, mas, em geral, superficiais, frios e voláteis. O que hoje acho, amanhã já não acho mais, e, provavelmente, depois de amanhã, nem lembro do que se trata este assunto. Estamos a viver a era da comunicação de extrema velocidade e volume, mas sem tempo de nos aprofundar ou refletir sobre quase nada. Que novo cidadão este novo tempo estará forjando, afinal?

Foi-se o tempo das rodas de conversas nos clubes, nas praças, nas ruas e nos barzinhos? Substituídos que estão sendo pelo protagonismo das redes sociais e do discurso monológico, em que todos falam de si, mas ninguém quer saber do outro. Estaremos vivendo o auge da veneração do eu? Só o que interessa é o que me diz respeito? E o que, para mim, é o certo, o verdadeiro, desconsidera toda e qualquer visão ou opinião divergente. É a ditadura das verdades individuais e absolutas.

Pela quantidade de pontos de interrogação, empregados até aqui, faz-se ver que o momento é também de muita dúvida e pouca certeza. Até porque a certeza de agora está fadada a se desfazer no ar. Os momentos políticos, nacional e internacional, são bem a mostra da profusão e confusão de atos, discursos, falas e indicações de para onde se quer ir. Estamos em meio a lideranças que mais parecem simulacros desta opaca realidade de imberbes personagens.

Diante deste quadro, quando a tristeza e a desesperança surgirem, sugerimos uma boa leitura. Um livro, um clássico e o silêncio. É preciso fazer a desaceleração, para não ser atropelado pela pressa que não é nossa, é dos outros.

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