Sociedade Defensora da Villa de Valença

Edição: 670 Publicado por: Rodrigo Magalhães Teixeira em 23/10/2019 as 11:47

 
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“Aos 28 dias do mez de Setembro de 1831, n’esta Villa de Valença, no Paço da Câmara Municipal, tendo-se reunido os cidadãos abaixo assignados, desejosos do bem ser de sua Pátria e em particular d’esta Villa, accordaram formar uma Sociedade Patriótica com o título de Sociedade Defensora da Liberdade e Independência Nacional da Villa de Valença” – assim se inicia a histórica Ata da primeira reunião para a criação em Valença de uma congênere da Sociedade Defensora do Rio de Janeiro.

Além de ser a primeira associação de caráter público fundada em Valença (a Venerável Irmandade de Nossa Senhora da Glória e a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia foram fundadas em 1836 e 1838, respectivamente), a Sociedade Defensora desempenhou importante atividade política, administrativa e social na recém-criada Vila. Em determinados momentos, chegou a ter mais força que a própria Câmara, ao exercer poder paralelo a ponto de deliberar soluções para a criação de um jornal e a instalação de um colégio e de uma cadeia em Valença, entre outros feitos de incontestável relevância.

A iniciativa de criação da Sociedade Defensora em Valença coube ao jovem líder Braz Carneiro Nogueira da Costa e Gama, que contava com apenas 19 anos na ocasião. Ele era o filho primogênito do Marquês de Baependy, influente político que gozava de muito prestígio junto à família imperial, proprietário da Fazenda Santa Mônica, em Valença. Com apenas 16 anos, Braz Carneiro havia recebido de D. Pedro I o título de Visconde de Baependy. Além de conduzir os trabalhos da primeira reunião, ele foi eleito presidente, com dezoito dos 28 votos, na reunião ocorrida aos 17 de novembro de 1831, data em que foi oficialmente instalada a Sociedade Defensora de Valença.

Com o valor da joia de entrada e da mensalidade de mil reis de cada um dos 29 sócios, a Sociedade Defensora editou, em 1832, o jornal intitulado “O Valenciano”, inaugurando assim a imprensa local. O redator era o padre intelectual João Joaquim Ferreira de Aguiar, e o próprio Visconde de Baependy, o editor. Impresso no Rio de Janeiro, na Typographia Nacional, o primeiro jornal de Valença tinha um pequeno formato, seguindo o padrão de duas colunas e quatro páginas. A pioneira edição de O Valenciano data de 26 de maio de 1832, um sábado.

Os membros da Sociedade Defensora também contribuíram decisoriamente para a instalação do pioneiro estabelecimento de ensino de Valença. Esse primeiro colégio, na verdade, era pago, não obstante o educador público nomeado – professor Antônio José Osório de Pina Leitão. Além disso, o padre-mestre João Baptista de Soares Meirelles, citado como primeiro professor particular de Valença, em 1832, também fazia parte da Sociedade Defensora e era o relator da comissão de Instrução Pública que elaborava estudos para a instalação desse primeiro colégio.

Aos 20 de setembro de 1833, as páginas da quinquagésima edição de O Valenciano anunciava que o jornal encerrava suas atividades, tendo 117 assinantes anuais a 6$000, bem como o fim repentino da Sociedade Defensora, o precursor corpo social de Valença: “Bem longe estávamos de pensar, que a Sociedade Defensora da Villa de Valença terminasse tão breve sua carreira, mas considerações momentosas fizeram dar este passo aos Sócios reunidos em Sessão no dia sete de setembro. Se o seu unânime sentimento foi temporâneo, ou extemporâneo, toca ao tempo decidir... Fica-nos a intima convicção, de que como Sócio desempenhamos nossos deveres, como nos cumpria, e foi compatível com nossas débeis forças”.

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