Mãos à obra

Edição: 671 Publicado por: Gilberto Monteiro em 30/10/2019 as 10:55

 
Leitura sugerida

Ler, ouvir música e escrever são os meus alentos.

Acabo de ler dois livros interessantes, um escrito por Fernanda Montenegro “Prólogo, Ato, Epílogo” e outro, “Aldeia do silêncio”, por Frei Betto. São duas lutas travadas diferentemente, a da artista é avassaladora pois de peça em peça, de palco em palco, ela enfrenta as dificuldades financeiras e políticas, principalmente nos anos de ditadura e atualmente. A do Frei Beto é um conjunto de avaliações sobre a palavra e o silêncio, numa linguagem mais literária. Ambos muito bons.

Aqui, na nossa cidade, temos observado ações populares em defesa da sustentação do que é belo, do que nos emociona. São pessoas buscando a defesa da Serra dos Mascastes e tentando melhorar o aspecto das nossas praças. Bom, muito bom! Já Vinícius de Moraes dizia ser a beleza fundamental.

Não só a beleza externa, mas sim a beleza interna, algo que a gente não sabe por que possui. Na Casa Lea Pentagna e, paralelamente, na Escola Padre Sebastião, vivemos isso, eu e Leila. Temos a nitidez de que a beleza produz um comportamento mais suave, mais humano. Menos violento. E é aí que vamos colocando a mão na massa.

Felizmente, é de se notar que este tipo de ação começa a ser vivida por muitos valencianos, tanto adultos como jovens. O trabalho feito por moradores ali na Pracinha da Avenida Borba demonstra esse pensamento.

Fernanda Montenegro sofreu durante os anos autoritários. Nessa hora me bate medo dos dias de hoje. Já o personagem de Aldeia do silêncio, nos mostra a beleza do silêncio e a importância das palavras.

Sou réu confesso no que diz respeito ao uso do que já está escrito, a tão propalada reciclagem. Deixo pros leitores um pedaço da crônica escrita por Martha Medeiros: “Ditadores perseguem artistas porque sabem que eles são porta vozes dos desejos da população, o que consideram subversivo, por isso estigmatizam a classe e, muitas vezes, censuram. Já o cidadão comum não tem razão para desprestigiar um artista, a não ser que se sinta incomodado por um estilo de vida que, vá saber, evidencie suas frustrações. O artista, mesmo não sendo célebre, vive da sua arte, ama o que faz, usa os sentimentos como matéria-prima, reconhece a comédia e a tragédia da nossa humanidade, analisa as questões com a mente aberta, defende a liberdade e não se deixa regrar por convenções. Uma afronta aos que não conseguem lidar com essa entrega absoluta a uma existência plena. O fascínio pode acabar virando raiva. Joga pedra na Geni!

E continua Martha Medeiros: “Todas as pessoas, inclusive as putas, senhores – tem ao menos um talento, que pode estar ligado a um esporte ou à gastronomia ou moda, jardinagem, bordado, computação, humor, música, não sei, você é que sabe qual é o seu dom. Alguma coisa você faz muito bem, mesmo que de forma amadora. Pois trate com gentileza o artista que você também é. O seu dom, ainda que infinitamente mais modesto que o de Fernanda Montenegro, é que ajuda a tornar o mundo menos rude. Quem coloca o mínimo de inspiração e paixão no que faz, sempre devolve algo de bom para sociedade”

Vamos lá, valencianos, colocar mão na massa! Eu e Leila já o fazemos.

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