Sapo na serra

Edição: 671 Publicado por: Aloisio Melo Morais em 30/10/2019 as 10:56

 
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A descoberta na Serra Negra, em Três Cruzes, da espécie de sapo “Brachycephalidae”, com cerca de 1,5 centímetros, é a mais nova revelação do meio científico da Universidade Federal de Juiz de Fora. O pequeno anfíbio, de cor amarelo-cromo é natural da Mata Atlântica e tem seu habitat em regiões de serras.

De olhos negros, o sapinho, já apelidado pelo seu descobridor, biólogo Lúcio Lima de “pingo de ouro”, tem só dois dedos funcionais e três artelhos nos pés. O animal caminha lentamente pelo solo, sem pular, e coloca seus ovos debaixo de folhas ou em pequenas cavidades do chão das florestas.

Conforme esclareceu Lúcio Lima “a descoberta ainda está em processo de descrição científica” e os estudos sobre o anfíbio serão apresentados brevemente na Universidade Federal de Juiz de Fora. O biólogo é especialista em anfíbios e herpetólogo. Ele defende sua tese de doutorado sobre a vida do “pingo de ouro” na região Serra Negra.

A descoberta ocorreu no Chapadão, localizado ao pé da Serra Negra, em Três Cruzes, distrito de Santa Bárbara do Monte Verde. Naquela região são muitas as grutas, cachoeiras e florestas nativas úmidas, onde vive o pequeno sapinho. No local, de propriedade da família de Lúcio Lima, foi inaugurado recentemente uma RPPN.

Surpresos com as belezas naturais do Chapadão Lúcio Lima e Léo Lima criaram a Reserva Particular do Patrimônio Natural Chapadão da Serra Negra, com o objetivo de preservar as grutas, cachoeiras e as florestas ali existentes. Eles construíram um Centro de Visitantes, totalmente feito de materiais da natureza, como madeira, barro, sem o cimento.

Ali já foi realizado um primeiro evento ao ar livre sobre a preservação do meio ambiente. Vieram alunos do Colégio João XXIII, de Aplicação da UFJF e representantes da Ong PREA. O objetivo do projeto da RPPN Chapadão Serra Negra é estimular o turismo sustentável na região.

A aula inaugural do centro de visitantes foi ministrada por uma equipe multidisciplinar de doutorandos, mestrandos e professores da UFJF e do Colégio João XXIII. Houve palestras sobre biodiversidade, botânica, zoologia, eco-psicologia, ecologia e filosofia.

Revela Lúcio Lima que para os eventos futuros que serão realizados no Centro de Visitantes “vamos oferecer alimentação à base de sanduíches, salgados e bebidas, mas tudo pago”. E sempre que possível haverá aulas e palestras educativas de preservação ambiental, gratuitamente.

Além dessa infraestrutura física de banheiros e o pequeno restaurante do centro, para receber os turistas, a RPPN ainda vai oferecer guias para caminhadas nas variadas trilhas, que somadas chegam a seis quilômetros. No percurso desses caminhos é que o turista poderá conhecer as grutas, cachoeiras e a exuberância da beleza natural da reserva.

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