O padre mestre

Edição: 673 Publicado por: Rodrigo Magalhães Teixeira em 13/11/2019 as 15:12

 
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No início do século 19 o professor João Baptista Soares Meirelles já era considerado um personagem de relevo na cidade do Rio de Janeiro, onde residia. Em 1802 decidiu que seria na incipiente Valença o local onde passaria a viver. Requereu então a dom Fernando José de Portugal, vice-rei do Brasil, uma sesmaria de meia légua em quadra nas terras devolutas existentes “no sertão da nova aldeia dos índios Coroados”.

“Acharçe esta terra inculta e devoluta, nos termos de se poder conceder por sesmaria”- declarou-se favorável à concessão o capitão de ordenanças e representante da Câmara de Pati do Alferes, Inácio de Souza Werneck. E em 10 de dezembro de 1802 a carta de sesmaria foi assinada por dom Fernando. Mas somente em 1812, o professor requereu a medição e demarcação de sua sesmaria em Valença, onde fundou a Fazenda São João Batista.

No ano de 1815 ele se casou com Joanna Leonísia de França Lyra. No auge da carreira e do reconhecimento deixou a cadeira de professor de Gramática Latina, no Seminário Episcopal de São José, no Rio de Janeiro, e partiu para o interior. Provavelmente essa decisão se deu no ano de 1826, quando o professor João Baptista pediu licença para tratamento de saúde fora da corte. A essa altura já estava viúvo e trabalhando a sua sesmaria em Valença. Rapidamente tornou-se um mestre de reconhecido valor, não só na província do Rio de Janeiro, mas também em Minas.

Em 25 de setembro de 1825, D. Pedro I sanciona a resolução da Assembleia Geral Legislativa que autorizava o Governo a aposentar com o ordenado por inteiro o professor João Baptista, proprietário de uma das cadeiras de Gramática Latina da corte. Foi jubilado com o ordenado de 500$000 réis anuais, em 1833, quando estava perto dos 65 anos de idade e uns 45 anos de magistério. Mas desde junho de 1829, atendendo a uma solicitação de João Baptista, o Imperador havia lhe concedido licença para tomar ordens sacras.

Já como padre-mestre, João Baptista de Soares Meirelles foi um dos fundadores da Sociedade Defensora da Liberdade e Independência Nacional da Villa de Valença, em 1831, onde desempenhou o relevante cargo de relator da Comissão de Instrução Pública que elaborou estudos para a instalação do primeiro colégio valenciano. O padre-mestre saía da sua Fazenda São João Baptista montado a cavalo e percorria as cinco léguas (33 Km) de distância até Valença, para participar das sessões da Sociedade Defensora.

Em 1832, o padre-mestre João Baptista é citado como primeiro professor particular de Valença. No ano seguinte é nomeado “Juiz de Órphãos” da Vila, relevante função que exerceu até 1835. Em 1841, é agraciado com a Imperial Ordem de Cristo, por decreto. E aos 22 de setembro de 1849, em decorrência de uma queda de cavalo em Valença, o padre mestre falece, aos 84 anos de idade.

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