Reação

Edição: 675 Publicado por: Gustavo Abruzzini em 27/11/2019 as 09:46

 
Leitura sugerida

A Câmara reagiu à polêmica declaração do vereador Celsinho do Bar. Na falta de uma assessoria que efetivamente entenda de comunicação, gravou-se um videozinho para as redes sociais. Nele, o vereador, ao invés de reconhecer a fala e afirmar o mal-entendido, confessando que o que falara, não era exatamente o que quis dizer, preferiu dar a entender que editaram ou deturparam sua fala porque querem, os seus detratores, serem vereadores. Pouco contribuiu. Pouco esclareceu.

 

Repúdio

Ato contínuo, a sessão de quinta-feira (21) serviu para que alguns colegas, manifestassem solidariedade. Sobrou até para este colunista a quem prometeram “voto ou moção de repúdio”. Este foi sugerido pelo vereador Silvio Graça que na tribuna confessou que não lera o conteúdo desta coluna, mas sentiu-se impactado pelo título de capa “Vereador fala demais”. Para ele, só isso bastou. Como deveria ser então? “Vereador se expressa mal”, “Vereador fala e todo mundo entende errado”, ou quem sabe: “Vereador fala e eu escuto”. Seriam, então, os vereadores intocáveis? Incriticáveis?

 

Repúdio 2

Contínuo ao ato, Saulo Correa pediu aparte e acompanhou o colega Graça, entendendo que este colunista, apesar de “inteligente” acusara aquela casa de “balcão de negócios”. Mas pelo visto também não leu com atenção, pois o que disse foi que ao não ter havido correção a fala histriônica do seu colega, esta seria a impressão, para quem assistia a tal indelicada e infeliz fala. Afinal, ninguém é obrigado a entender os contextos retóricos e muito menos os contorcionismos semânticos das falas dos senhores vereadores, que, por sinal, na média, em geral, são muito ruins no quesito discurso.

 

Lamento

Desde a coluna anterior, este pobre jornalista estava certo de que a fala, a verdadeira “patacada” verbal do vereador Celsinho, não passara de deslize linguístico de quem tem pouca intimidade com as palavras, quiçá com as malícias retóricas. O que me chamou a atenção e destaquei, fora a complacência de todos os presentes, para qualquer coisa que venha a ser falado então. Quem leu atentamente minha coluna, semana passada, que pelo visto não foi o caso dos vereadores que me repudiam, viu que ela foi carregada de interrogações que demonstravam a gravidade do que se fala e do que se aceita que se fale assim, ao léu.

 

Tá no vídeo

Refletindo todo este imbróglio, percebi que um problema que acomete toda a sociedade, também interfere na atuação de nossos vereadores, a ponto de ter facilitado que a descuidada fala fosse construída e disseminada sem que ninguém acudisse o desprotegido vereador que discursava. Está lá, patente, nas gravações das sessões. Trata-se da desconcentração e certo descomprometimento com a própria reunião. Em geral, elas começam com os vereadores fora de seus lugares e focados, aparentemente, somente em suas atuações. Enquanto a tribuna é utilizada, uns estão interagindo com seus celulares, outros cochicham, outros saem sem parar de seus lugares, outros chegam atrasados, e poucos são os que prestam atenção, ao que o outro está comunicando. Então, meu voto de repúdio para estes também.

 

Um porre

Entendo que a maioria dos vereadores deve achar, em certa altura, as reuniões um porre mesmo. Nós achamos. Até porque, de uns tempos para cá, a atividade mudou e a atuação é muito mais prática e executiva do que parlamentar. Poucos são afeitos a discursos e discussões mais politizadas. Reina uma certa harmonia que contribui para a dispersão.

 

Porém

Entretanto, acho que a reunião de uma Câmara, não é uma reunião de colegas de trabalho. É a assembleia legislativa do município. É uma reunião séria, da qual é preciso prezar por tudo que nela é dito, mesmo o mal-dito, assim como, também, as omissões do não dito. É preciso estar atento, para agir e corrigir, sempre, sem demérito para a carreira de ninguém.

 

Estou bem

Todos sairão ganhando, a começar pelo presidente da casa, se entenderem esta crítica como construtiva de quem está vendo de fora a imagem disponibilizada, não a interpretada. E antes que me qualifiquem de interessado em suas cadeiras, por lhes ser crítico, vou adiantando que não tenho pretensão de acabar com a minha paz. Estou bem aonde estou. Minha tribuna é esta em que estou, nas colunas do jornalismo, ajudando na evolução de nossa sociedade, muito mais que vossas excelências e vossos assessores são capazes de crer. Um abraço.

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