CEDAE (1)

Edição: 676 Publicado por: Marilda Vivas em 04/12/2019 as 10:45

 
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Caiu feito bomba, entre nós, a polêmica declaração do vereador Celsinho do Bar de que os vereadores, à época da instalação da CEDAE em Valença, receberam algo em torno de 25 mil para aprovarem o contrato entre o Município e a empresa.

Muito se pode deduzir desta declaração e, mais ainda, das reações que se seguiram no âmbito do poder legislativo municipal após a publicação da matéria nas páginas deste jornal. Mas, nada, nada mesmo, se compara ao silêncio percebido da parte dos ex-vereadores que, por aquela ocasião, tinham assento naquela Casa e, hoje, não mais.

Até aqui não tomei conhecimento de que tenha havido algum protesto, nota de repúdio ou mesmo de solidariedade com o ex-colega por aquilo que pode ser considerado um mal-entendido. Esse dado chamou minha atenção. O que não quer dizer que não tenha havido. As redes sociais são múltiplas e extensas. Os jornais também. O que significa que, tendo havido, eu não tomei conhecimento. Mas, aí está uma coisa que eu gostaria de saber.

 

CEDAE (2)

Há coisas que não entendo. E, ao expressá-las aqui, corro riscos também de não ser clara o suficiente. Mas, faço a tentativa na esperança de não deixar cair em fogo morno um assunto de tamanha importância para todos os munícipes.

Uma dessas coisas é, sem dúvida, a presença de um membro do Poder Legislativo na comissão que está definindo os rumos que a “questão da água” vai tomar em Valença. Isso, que para mim é um descalabro, eu não entendo. E ganha dimensões homéricas ante a fala do vereador Celsinho do Bar, independente de ter ou não havido um deslize verbal.

Isso é um escândalo para mim. Manter um vereador definindo o modelo pari pasu com o Poder Executivo não passa na minha garganta. Coorporativa do jeito que a Casa é - basta ler a coluna “Parangolés” publicada na edição anterior, alguém duvida que a matéria quando chegar na Câmara já não vai estar para lá de pacificada? Se exceções houver, e sempre há, serão apenas de dois ou três votos contrários, e nada mais.

E aí, não estou nem um pouco preocupada, se essa presença está revestida de legalidade. Isso pouca ou nenhuma diferença faz. O Poder Legislativo não tem que estar envolvido no processo de escolha do modelo. A ele caberá julgar, quando a matéria chegar na Câmara, se ela é ou não adequada aos nossos interesses.

O Poder Legislativo tem que ser isento e leal ao povo. Caso contrário vai sempre correr o risco de ter sua reputação manchada.

 

E se água fosse nossa?

Com esse título, está sendo construído um movimento popular por meio do qual está sendo reivindicado, inclusive, o direito de debater e indicar o modelo de gestão dos serviços de saneamento básico (água e esgoto) que se quer para a cidade. Nada do que não esteja previsto no Plano Diretor Participativo de Valença-RJ.

Assim sendo, no próximo dia 10, terça-feira, às 18 horas, representantes dessa iniciativa estarão na Câmara Municipal dando seu recado.

-.-.-.-.-

 

Uma poesia porque ninguém é de ferro

 

Retratos de um artista quando coisa

 

 

A maior riqueza

do homem

é sua incompletude.

Nesse ponto

sou abastado.

Palavras que me aceitam

como sou

— eu não aceito.

Não aguento ser apenas

um sujeito que abre

portas, que puxa

válvulas, que olha o

relógio, que compra pão

às 6 da tarde, que vai

lá fora, que aponta lápis,

que vê a uva etc. etc.

Perdoai. Mas eu

preciso ser Outros.

Eu penso

renovar o homem

usando borboletas.

 

Manoel de Barros (19/12/1916 - 13/11/2014).

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