Valença recupera seu antigo esplendor

Edição: 677 Publicado por: Rogerio da Silva Tjäder em 11/12/2019 as 17:20

 
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O século XIX marcou a Idade de Ouro do Brasil no cenário mundial e Valença mostrou-se um dos pilares desta grandeza, graças à sua vultosa produção cafeeira, verdadeiro sustentáculo da riqueza nacional.

Quando o Príncipe-Regente depois Rei D. João VI alavancou a cafeicultura brasileira ao alvorecer daqueles idos, os incipientes cafeicultores valencianos abraçaram a causa, expandindo suas pequenas lavouras cafeeiras.

O êxito pretendido alardeou-se, servindo de chamariz para que outros interessados aqui se apresentassem.

Assim foi o caso de Domingos Custódio Guimarães que adquiriu terras na então região valenciana de Porto das Flores, hoje Manuel Duarte.

Ali edificou a suntuosa “Fazenda Flores do Paraíso”, além de muitas outras ao seu redor, vindo a se tornar o grande proprietário de toda aquela imensa área.

Estudioso da cafeicultura, logo Domingos pôs em prática seus conhecimentos, tornando-se o maior produtor de café do Vale Sul do Paraíba Fluminense.

Sua glória foi tão marcante, sua atuação no âmbito social mostrou-se tão eficiente, que mereceu ele as graças imperiais dos títulos nobres de Barão e em seguida o de Visconde; foi ele o “Visconde do Rio Preto”, sem dúvida alguma, o “maior benfeitor de nossa cidade e região circunvizinha”.

Os anos passaram, a política mudou, a economia decaiu e a pobreza chegou. Tempos difíceis para Valença, até então opulenta.

Porém, novos homens de coragem e de fibra tais como José Fonseca, Benjamin Guimarães, Vito Pentagna e Antonio Jannuzzi uniram-se e conseguiram soerguer Valença. Venceram, mas sem mais o café. Era a fase industrial que se iniciava.

Outra vez os anos passaram, as indústrias valencianas entraram em decadência e um problema social de grande monta se agravou.

O Brasil, que já tinha sido o responsável pela produção de 71% do café consumido pelo mundo a fora, achou por bem retornar às suas origens. Cooperativas e agremiações de cafeicultores se organizaram pelo país, incluindo o Estado do Rio.

E Valença voltou à ativa; em Conservatória, mais precisamente na “Fazenda Florença”, onde seu proprietário, doutor Paulo Roberto dos Santos, após estudos dedicados, iniciou um cultivo da preciosa rubiácea com sementes escolhidas, importadas de suas origens. Sua técnica mais moderna e sofisticada, unida a um trabalho exaustivo – embora prazeroso -, conduziu-o a um êxito retumbante, jamais imaginado.

Contando o Estado do Rio de Janeiro com um número aproximado de um mil novos cafeicultores, em sua maioria na tradicional região cafeeira do Noroeste, houve um consenso por parte dos órgãos públicos, tendo por escopo o incentivo, visando a apuração de qual seria o “Melhor Café do Estado”.

Uma banca composta por técnicos em cafeicultura, pertencentes a Estados outros, após exames detalhados e demorados conferiu, em uma solenidade pública revestida de elevado gabarito, havida no “Palácio Guanabara” o honrosíssimo “Primeiro Lugar” ao café produzido na “Fazenda Florença”, em Conservatória, distrito de Valença, pelo doutor Paulo Roberto dos Santos.

Tão valorizado e disputado foi o café valenciano produzido pelo doutor Paulo Roberto, em Conservatória, que no leilão que se seguiu à premiação, a saca do café da “Fazenda Florença”, alcançou o elevado valor de “R$ 11 mil”, mais que o dobro do preço das demais sacas premiadas.

Ao doutor Paulo Roberto dos Santos, os cumprimentos de toda a comunidade valenciana que viu enaltecido, uma vez mais, o nome de Valença!

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