Coronavírus: como lidar com as crianças no confinamento

Edição: 689 Publicado por: Paulo Henrique Nobre em 25/03/2020 as 08:18

 
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Valença – A pandemia do COVID-19, o novo Coronavírus, obrigou todos ao isolamento social. E isso atinge muito as crianças. Obrigadas a ficarem em casa, elas sofrem mais por conta da grande quantidade de energia que dispõem e que não conseguem extravasar. Para auxiliar os pais nesse momento, o Jornal Local conversou com a diretora da Faculdade de Pedagogia da UNIFAA, professora Mônica de Carvalho Teixeira, que apresentou algumas alternativas educativas e lúdicas para se utilizar junto à meninada.

Jornal Local - Nesse momento de necessidade de confinamento das crianças dentro de casa, quais medidas educativas e lúdicas você apontaria para os pais trabalharem com os filhos?

Monica Teixeira – Imagino que com crianças não podendo sair de suas casas, toda criatividade é pouca para que esse momento de confinamento seja vivenciado de uma forma tranquila e prazerosa para todos. Há pessoas bem-intencionadas, que lidam com contação de histórias, que estão fazendo lives no instagram. Para quem tem dificuldade de acesso à internet, um jeito bacana de passar o tempo é rememorar brincadeiras da nossa infância para ser ensinada às crianças de hoje, ao mesmo tempo em que essas crianças nos ensinem as brincadeiras delas. Outra boa estratégia é fortalecer o diálogo entre adultos e crianças na cozinha. Cozinhar é uma ótima distração produtiva para crianças e adultos, pois é um momento de aproximação, conversa e ensinamentos mútuos. Outra ação muito importante: inventem histórias, produzam histórias, ilustrem histórias. Nada melhor do que usar o ócio criativo a nosso favor. Criatividade se aprende, então, vamos produzir histórias e ilustrá-las, seja lá quem for o narrador. E vamos ensinar a cuidar de si e do outro. Organizar o quarto, o guarda-roupas, os brinquedos. Ver se há algo sobrando que possa ser separado para ser doado e para quem doar (e quando a crise do coronavírus passar, irem juntos realizar a doação). O momento é para nos reinventar e que sejamos criativos para que isso aconteça.

Jornal Local - Como os pais devem atuar com os filhos nesse período de recesso escolar, onde há um afastamento físico do prédio escolar e da figura do professor, bem como do afastamento dos colegas de escola?

Monica Teixeira – O contato para esse tempo de coronavírus é o digital. A internet, se bem usada, se transforma em uma aliada poderosa. A escola, os professores, os colegas de turma, não serão esquecidos. A conversa entre pais/responsáveis e filhos deve ser no sentido de abrandar corações e ânimos para que todos tenham calma. Os adultos são as pessoas mais experientes na relação com uma criança, então, cabe a nós, adultos, a orientação para que esse período seja vivenciado de forma tranquila. Esse momento do nosso cotidiano, precisa ser explicado à criança. Ela compreende e ajudará a ter ideias e tomar atitudes.

Jornal Local - É o momento de se pensar em Homescholling e como seria ele, já que esse recesso tende a acabar com o fim da crise?

Monica Teixeira – Homescholling (chamado também de Educação domiciliar ou ensino doméstico) é a possibilidade de os próprios pais educarem seus filhos em casa. Sendo eles mesmos os responsáveis pela escolha do conteúdo, metodologia e formas de avaliação e, podem optar pela contratação de professores e/ou tutores para ministrarem a educação aos seus filhos. Processo não regulamentado pelas autoridades brasileiras, particularmente não sou a favor. Mas como você mesmo disse tudo vai passar com o fim da crise, por isso acredito que não seja a hora para mais uma discussão.

Jornal Local - Quais as orientações que você passaria para as escolas e para os educadores sobre o afastamento com os alunos, as recomendações que eles podem e/ou devem passar para os estudantes, o contato à distância (Redes sociais e demais vias da internet)?

Monica Teixeira – Às escolas que aproveitem esse tempo de recesso forçado para criarem uma aproximação com os estudantes, professores e demais profissionais de forma remota. Criem uma rede de união solidária para que as pessoas se sintam acolhidas mesmo longe fisicamente. A escola promove educação e, aproximar pessoas, se importar com as pessoas é um dos papéis da educação. Que possam descobrir como a tecnologia pode atuar a favor de uma prática pedagógica que aproxime os conhecimentos de sala de aula do dia a dia de estudantes e professores.

Aos estudantes que possam uns ajudar aos outros. Uns conseguem fazer uso da tecnologia, outros ainda não. Façam um passo a passo para ensinar como os demais podem usar a tecnologia a seu favor. Usem as redes sociais para ensinar e aprender. Usem canais como o youtube (lá existem os edutubers – professores), que ensinam conteúdos, de uma forma diferente para aprender e ensinar.

Jornal Local - Quaisquer informações extras que ache importante repassar aos pais, estudantes ou educadores, que eu não tenha questionado acima, pode informar aqui!

Monica Teixeira – Cuidado com fake news, cuidado com notícias alarmistas. Vamos nos informar sim sobre a situação que estamos vivendo, mas tomem cuidado para não se tornarem propagadores do pessimismo, do negativismo. Sejamos otimistas e incentivemos outras pessoas a serem. Nunca foi tão exigido que ajudemos uns aos outros. Isolamento social não é bom para ninguém. Aos que conseguem vivenciar melhor essa situação, que possam ajudar aos outros.

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