RPG: você conhece? Atividade desenvolve o raciocínio e a criatividade

Edição: 362 Publicado por: Jornal Local em 10/10/2013 as 11:18

 
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Valença – Você sabe o que é o RPG? Pois se não sabe, também não sabe o que está perdendo. O jogo – muito divulgado pela série “The Big Bang Theory” - foi criado na década de 70 e ganhou o mundo. Na década de 80, chegou ao Brasil e, hoje, já existem editoras produzindo material de qualidade por aqui. O jogo tem grande número de participantes país afora e, quem diria, também no Município. Muitos deles se reuniram no fim de semana para participar do 1º Encontro de RPG – Sul Fluminense.

De acordo com Rafael Andrade, um dos organizadores do Encontro, o jogo reúne teatro, estratégia e muita imaginação. “No jogo, uma pessoa, que nós chamamos de mestre, cria ou coordena uma história e os jogadores vão interpretar papéis, personagens. Seria como um teatro!”. Rafael lembra que a graça do jogo é que a história não está pronta e o mestre só apresenta o contexto: a história em si é criada ao longo do jogo, de forma imprevisível, a partir das escolhas feitas pelos jogadores. Ele ressalta que cabe a cada jogador construir seu personagem levando em conta o tema e o cenário construído e/ou coordenado pelo mestre, com todas as suas características e dificuldades. “É o mestre quem vai condicionar. São essas condições que vão permitir ao jogador ter ou não vantagens no jogo!”.

Rafael lembra que, em algumas mesas, os jogadores chegam a incorporar a personalidade dos personagens, imitando trejeitos, modificando a voz ou outros recursos de expressão facial. Uma evolução do RPG é o live action, onde os jogadores usam fantasias e, diferente de espaços imaginários, interagem com um espaço real para jogar. No RPG tradicional, o jogo é moldado em pontuações que são obtidas ao longo da história e que são obtidas jogando dados, levando à evolução das potencialidades da personagem interpretada.

Aficcionado em RPG, Rafael ressalta que muitas histórias e temáticas são publicadas por editoras como a Devir, Daemon e Tagmar, mas há mestres que gostam de criar suas próprias histórias e cenários. “Tendo criatividade, um papel na mão e uma forma de você dizer como alguém acertou ou errou – pode ser até um par-ou-ímpar -, você já pode dizer que tem um RPG!”, ressalta Rafael, que tem história baseada na 2ª Guerra Mundial.

Polêmicas

Segundo Rafael, duas questões que impedem o aparecimento de novos jogadores são falsas denúncias de pessoas de que o RPG é uma prática satânica e ou que é apenas jogado por Nerds. Ele lembra que alguns temas e personagens de RPG acabam assustando pessoas, como vampiros, bruxos e demônios, e isso acaba criando polêmica com a crença de algumas pessoas. Para Rafael, os temas e personagens do jogo são fictícios e devem ser assim considerados. Além disso, várias editoras apresentam idade mínima para os jogadores, apesar de haver RPGs próprios para adolescentes e crianças. Quanto à questão de ser um jogo de nerds, Rafael diz que não há problema. “É assim mesmo. No final, a ideia é se divertir!”.

Interatividade

O professor Rabib Floriano Antônio, um dos mais aficionados em RPG na cidade, lembra que o jogo foi criado para estabelecer um ambiente de interatividade. Ele defende a importância de se usar o RPG como parte do processo pedagógico nas escolas. “O RPG, quando acompanhado pelo profissional estimula a narrativa, o desenvolvimento da escrita e da linguagem, criatividade (Pedagogia da Imaginação), aborda conceitos de cidadania e ética, podendo ser utilizado como temas transversais, aprofunda nos estudos de Literatura, História, Geografia, Química, Matemática e até Música”.

Palestrante sobre RPG na Educação no 1º Encontro, Rabib lembra que já há outras experiências que vêm sendo tentadas com êxito usando o RPG como em estudos de psicologia ou na elevação da estima de pessoas na terceira idade que, ao aprenderem a jogar o RPG e praticando o jogo são estimuladas ao processo de criação.

RPG em Valença

Segundo Giovanni Nogueira, outro jogador antigo na cidade, o RPG começou em Valença no início dos anos 90. “Quem jogava eram jovens estudantes de escolas particulares e alguns estudantes de faculdade. Os jogos não existiam em português e, então, eles jogavam as versões publicadas em Portugal e livros em inglês até serem lançados os livros-jogos em português e o primeiro sistema de regras brasileiro, o Tagmar. Mesmo assim estes eram difíceis de achar, pois não havia grande livraria em Valença”.

Segundo ele, quem não tinha os livros importados e jogava com estes estudantes, fazia anotações nos cadernos e acabava criando seu próprio sistema de regras e suas próprias aventuras. “Esta foi a primeira geração de jogadores de RPG em Valença”. A segunda geração começou, segundo ele, quando, após um período de pausa nas partidas e campanhas (aventuras com mesmo grupo de personagens), vieram para Valença livros traduzidos. Assim, novos grupos começaram a ser criados e houve, inclusive, uma partida de RPG Live Action no Casarão das Artes, até mais uma pausa (quase que permanente) em meados dos anos 2000. “De lá para cá, os jogos de cartas colecionáveis e RPGs de banca (baseados em mangás japoneses) foram jogados por grupos dispersos na cidade”.

Jogadores

De acordo com Fabio Roberto G. Medeiros, morador de Valença, formando em psicologia pela USS e organizador do evento, o RPG de mesa de forma geral é autentico na sua forma de dar sentido ao mundo. “Porque trabalha imaginação, fantasia e criatividade, auxiliando o desenvolvimento cognitivo do sujeito e melhorando seu potencial. Também mostra que cada pessoa interpreta determinadas situações unicamente”.

Segundo Tiago Cabral, jogador, psicólogo e escritor, de 27 anos, morador de Barra Mansa, o “RPG no Brasil é um eixo cultural forte composto de pequenos grupos isolados que às vezes se desconhecem entre si, mas quando unidos são capazes de uma identificação imediata!”. Leonardo Barbosa, de Barra do Piraí, alega que, com o aumento dos jogos online e outras atividades feitas para prender a atenção das pessoas, num mundo de redes sociais, onde estar conectado 24 horas te faz informado e com tudo ao alcance de um click, cada vez mais a interação social tem desaparecido e a nova geração perdeu aquela tradição de jogos de piques e jogos de interatividade humana.

“Apesar disso tudo, o RPG é o único que ainda vem lutando contra essa nova cultura e um dos poucos jogos de interatividade social ainda vistos. Com o RPG temos uma série de coisas relacionadas à formação de caráter social que não encontramos em nenhum outro game”.

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1 comentários

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Rafael Fontes em 11/10/2013 às 13:11 disse:

Muito bom o envolvimento do veículo para colher este conteúdo. Agradeço profundamente!
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