É importante discutir o Alzheimer – parte 02

Edição: 417 Publicado por: Marcela Giesta em 06/11/2014 as 09:27

 
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O Alzheimer é uma doença que mobiliza não apenas o dia a dia do doente, mas dos familiares, amigos e, sobretudo dos profissionais escolhidos para cuidar do idoso. Diante do cenário de crescente envelhecimento populacional e diagnóstico cada vez mais conclusivo, uma figura que tem se destacado é o cuidador de idosos, que  assumiu um protagonismo na relação entre portador de Alzheimer, a família e a sociedade. Em continuação à matéria da edição 416, desta vez será mostrada a importância do cuidador e da mobilização da sociedade para atender o doente com qualidade.

Para o geriatra Ricardo Rocco, a neurologista Claudia Mergener, e a fisioterapeuta Jaqueline Bastos, mais importante para que o tratamento ocorra da maneira correta, que pode ajudar até mesmo a retardar a evolução da doença, é a integração e suporte entre a família e os cuidadores. Por ser uma doença que traz certo desgaste físico e psicológico aos que estão próximos, é necessário que se embasem de conhecimentos, a fim de aprender a lidar com a doença e a buscar meios de promover a qualidade de vida, tanto do doente de Alzheimer quanto dos que estão ao seu redor.

O tratamento com outros profissionais, como fonoaudiólogo, nutricionista e terapeuta ocupacional é indispensável, mas a inserção de um cuidador é completamente necessária para que o doente de Alzheimer possa ter o acompanhamento e monitoramento correto de suas ações e medicações. De acordo com o Ministério do Trabalho, em sua Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), o número 5162-10 tipifica o cuidador de idosos para fins trabalhistas,  visando maior segurança para o cuidador profissional. De forma que legitime enquanto profissão,  está em fase final no Congresso Nacional o Projeto de Lei 4702/12, dando caráter profissional,  regulamentando a categoria, estabelecendo funções,  idade mínima, escolaridade,  capacitação, tipos de contrato de trabalho etc.

Profissão Cuidador

Rafael Tavares é especialista em geriatria e gerontologia, e atua como gestor do curso de capacitação de cuidadores de idosos de Valença desde 2010. Ele nota uma procura cada vez maior por parte dos familiares no anseio de ofertar ao seu idoso o melhor cuidado, e já foram capacitados mais de trezentos cuidadores. De forma geral, o perfil do familiar que procura o curso são mulheres, com idade entre trinta e quarenta anos, com grau próximo de parentesco e que são “escolhidas” por ter intimidade com o idoso portador do Alzheimer. “Destaco como primordial para a família que possui um idoso com Alzheimer, a busca de informações, pois o desconhecimento acerca das fases da doença acaba desgastando a família e adoecendo mais quem cuida”, sugere.

O gestor explica que o curso de capacitação de cuidadores de idosos surgiu pela constatação do envelhecimento proporcional que Valença possui em relação aos outros municípios. Segundo pesquisa deste ano do Datasus, residem no município 15,3 idosos para cada cem habitantes, número inferior ao nacional (12,9 por cem habitantes) e ao estado do Rio de Janeiro (13,6 por cem habitantes). A segunda motivação de Rafael foi a publicação do livro “Cuidar melhor é evitar a violência: Manual do cuidador da pessoa idosa”, lançado pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos, em 2008, onde diversos pensadores e entidades tipificaram os assuntos mais relevantes para evitar a violência e concluíram que, quando o cuidado é mal executado muitas vezes ocorre por desconhecimento da doença. “Porém, o que mais me sensibilizou a realizar o curso foi a fala dos familiares dos idosos que acompanho há dez anos, sobre a ausência de atividades e informações para os familiares que cuidam de idosos que não possuem mais sua autonomia, o que inviabiliza a participação nas atividades que desenvolvo”, destaca.

Dividido em quatro módulos: básico; específico; controle social e vivências externas, os alunos são ensinados de maneira teórica sobre o trabalho do cuidador. No segundo módulo contam com uma equipe multidisciplinar (médico, enfermeiro, assistente social, psicólogo, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, fisioterapeuta, educador físico, gestor de RH e algum representante do INSS), para demonstração a quem se capacita o caráter abrangente que é o envelhecimento humano. No terceiro módulo é tratado o controle social. Nas vivências práticas, os alunos observam o funcionamento de um centro-dia para portadores de Alzheimer (espaço para quem necessita de apoio para a realização de cuidados básicos de vida diária), os cuidadores também ficam um tempo considerável em uma Instituição de Longa Permanência para idosos e há também a visita aos nossos grupos de convivências.

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1 comentários

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MARIA DAS GRAÇAS FONTES DE ARAUJO em 06/11/2014 às 12:27 disse:

Nossa Rafael fico feliz em vê-lo aí onde vc tem maior capacidade p/ faze-lo!!vc é alguém que sempre luta pelos nossos idosos!!Parabéns menino de ouro!!!
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