O limite entre o cuidado e a neurose

Edição: 422 Publicado por: Marcela Giesta em 11/12/2014 as 09:25

 
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Valença – O recente caso da criança de nove meses, que morreu após engolir uma presilha de cabelo, deixou pais e mães um tanto abalados e preocupados. O medo de acidentes domésticos é uma realidade para quem tem crianças pequenas, e muitas vezes os pais ficam inseguros entre a vigilância constante e a liberdade para que os filhos se desenvolvam e se preparem para o mundo. O Jornal Local conversou com especialistas, que deram a orientação para o equilíbrio entre a relação pais e filhos.

Os pais são orientados pela pediatra Marise Duque a sempre estarem atentos e vigilantes com crianças dos quatro meses aos sete anos de idade. Quando pequenas, as crianças costumam inserir todo tipo de objeto na boca. Um pouco mais velhas, o risco é de acidentes externos, como atravessar rua e subir em locais altos, por exemplo. Substâncias, grãos, materiais com sujeira e objetos pequenos, de qualquer material, devem ser retirados do alcance das crianças. Ela recorda de situação em que uma criança de quatro anos de idade deu brigadeiro a um bebê de dois meses: “Mesmo um aspecto de positivo, para uma criança de quatro anos, pode trazer acidente. A vigilância deve ser vinte e quatro horas”, sugere que os pais associem às crianças pequenas que alimentos prejudiciais tenham gosto ruim, e orientem crianças maiores de que são alimentos que não podem ser digeridos, para que se adaptem ao que não podem. Ela destaca também que, desde pequenas, as crianças devem ser orientadas a perderem maus hábitos, como roer lápis, por exemplo.

“Os cuidados gerais devem ser, principalmente, com materiais corrosivos, detergente, álcool, gasolina, tomadas, fiação elétrica e, principalmente, remédios. Estes nunca devem estar ao alcance das crianças”, a principal orientação da pediatra, em caso de ingestão de qualquer material químico, é que a criança deve ser levada imediatamente ao hospital. Lavar a boca, provocar vômito, entre outras medidas, não devem ser feitas em casa, e o pediatra deve ser procurado em qualquer caso de dúvida. Durante o trajeto ao hospital, os pais devem observar a respiração da criança, procurar deixar a criança calma, ventilar bastante o local e massagear o peito.

Marise norteia que os pais possam deixar suas crianças livres para brincar e as acompanhem, ou que as coloquem em local adequado, como cercadinhos, com brinquedos adequados à idade e com certificados de segurança do Inmetro. Ela alerta sobre o risco de quedas da cama: “Travesseiros em volta da cama não seguram bebê nenhum. Bebê e cama é igual a grade ou adulto ao lado”, destaca. Embora o cuidado integral seja necessário, a pediatra explica que existe um ponto de equilíbrio entre o cuidado e a liberdade para que a criança possa desenvolver suas atividades: “Basta que se cerquem de cuidados, e que não deixem ao alcance objetos perigosos, que corram o risco de machucar e ser deglutidos, e que deixem a criança brincar à vontade, e a orientem como deve brincar”, segundo Marise, é desta forma que a criança aprenderá sobre os limites que deve ter.

Orientação psicológica

“Os cuidados com as crianças são importantes e necessários, já que elas são indefesas e não conseguem perceber ainda as situações de risco. É de de vital importância que os pais e/ou responsáveis zelem pelos pequenos, mas tudo que acontece de forma exagerada não é saudável, já que esse cuidado constante pode gerar uma superproteção, insegurança e a diminuição de aprendizado sobre os acontecimentos”, é a principal orientação da psicóloga Christiene Lana. Segundo ela, os pais devem entender que o “cuidado neurótico” deve ser revisto, pois as crianças muitas vezes sentem certa pressão com este excesso, o que gera até mesmo ansiedade, angústia e preocupação aos próprios pais.

Mesmo que, enquanto criança ocasione a sensação de segurança e proteção, o “cuidado neurótico” dos pais futuramente acarreta a dependência dos filhos, tornando-os indivíduos inseguros e com baixa resistência a frustração, se tornando adultos sem autonomia, isolados, ou que não aceitam serem contrariados, e pode até mesmo gerar a sensação de que, para tudo que acontecer em sua vida, sempre haverá alguém para lhe dar suporte, e as pessoas ao seu redor devem saciar seus desejos e obedecer a suas ordens.

Segundo Christiene, a forma de trabalhar este cuidado juntos aos filhos é a prevenção de situações de risco de forma consciente, mostrando as possibilidades e os protegendo, ao mesmo tempo preparando-os para o mundo. “É de extrema importância o diálogo, a sinceridade, a compreensão e explicitação do que existe e caso sintam necessidade, devem procurar ajuda de profissionais especializados”, afirma.

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