A Ponte da União

Edição: 565 Publicado por: Rodrigo Magalhães em 27/09/2017 as 14:35

 
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Em 1945 ocorreu a maior enchente que se tem registro no rio Preto, e praticamente todas as pontes que existiam em seus quase duzentos quilômetros de extensão foram levadas por suas correntezas. Foi em 1947 que se concluiu a construção da atual ponte que liga Parapeúna a Rio Preto. Deram-lhe à época o sugestivo (e merecido) nome de “Ponte da União”. Mas todo valenciano deve saber, não só aquele residente em Parapéuna, que essa união não é apenas material, mas principalmente sentimental.

Em 1789, quando o Vice-Rei de Portugal deu a ordem para se iniciar o Aldeamento de Nossa Senhora da Glória de Valença, a maioria dos índios que habitavam a famosa “Aldêa das Cobras”, localizada entre Santa Inácia e Pentagna, recusaram-se a ser catequizados e civilizados. Fugiram de lá e fundaram várias outras pequenas aldeias no Vale do Rio Preto. Uma das mais expressivas era a Aldeia chamada Porto dos Índios, que começava na margem direita do rio Preto (atual Povoado de Alberto Furtado, Valença/RJ) e, através de uma grande e retilínea pedra existente naquela região do rio, atravessavam para a margem esquerda, onde continuava a aldeia (atual povoado de Porto dos Índios, Rio Preto/MG).

Em 1803, quando um padre chamado Antônio Vicente de Almada requereu uma sesmaria na região, declarou ser “morador no Rio Preto”. Mas o mapa anexo ao seu pedido revela que, na verdade, as terras onde residia ficavam na margem direita do rio, “do outro lado, em frente ao Presídio de Rio Preto”. Ou seja, o primeiro padre morador de Rio Preto de que se tem registro era de Parapeúna, dono da área onde atualmente se assenta a parte central do distrito.

Em 1882, quando a Princesa Isabel e o Conde D’Eu inauguraram o trecho ferroviário que ligava Valença a Rio Preto, um banquete oficial aconteceu no famoso “Salão Santos Anjos”, no imóvel que o Barão de Santa Clara acabara de doar ao médico Dr. Afonso Portugal, o primeiro prefeito de Rio Preto. A locomotiva se chamava “Rio Prêto”, assim como a Estação. Porém, o trem nunca chegou a Rio Preto/MG.

Até 1943 ambas as povoações, tanto a da margem esquerda quanta a da margem direita, chamavam-se igualmente Rio Preto. E como na prática essa coincidência de nomes cada vez mais confundia as pessoas, um historiador chamado Matoso Maia Forte recorreu a um tupinólogo e achou uma saída interessante: Parapeúna (que em tupi-guarani também significa Rio Preto). Olha que interessante! “Rio vem de rivus. Donde deriva rival que são aqueles que estão separados por um rio. Agora, Parapeuna, em tupiguarani significa riozinho escuro. São as palavras tanto quanto os sentimentos que nos unem...” – Sebastião Trogo.

Parabéns Valença pelos seus 160 anos de história... Essa que certamente é a cidade mais mineira de todo o Estado do Rio de Janeiro!

Rodrigo Magalhães, Oficial de Justiça, pesquisador e escritor. É autor do livro “Descoberto da Mantiqueira – O Sertão Prohibido do Rio Preto”.

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