Pesquisa resgata memória de Timóteo Perez Rúbio

Edição: 578 Publicado por: Paulo Henrique Nobre em 03/01/2018 as 09:18

 
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Valença – Considerado o salvador do tesouro nacional cultural da Espanha, no início da Ditadura Franquista (1937), o pintor e escritor Timóteo Perez Rúbio deixou o seu país para vir morar no Brasil, residindo por mais de trinta anos aqui na cidade. Conhecido de todos à sua época, hoje, a memória de sua vida e de sua luta jazem esquecidas entre documentos e obras artísticas espalhadas pelo Brasil e pela Espanha. Por isso, uma pesquisa iniciada na Universidád de Extremadura, na cidade espanhola de Cáceres, quer resgatar essa história. Parte do levantamento foi feito aqui, no local onde o artista morou: a Casa Lea Pentagna.

Ana Alícia Manso Flores, doutoranda do Curso de Letras, esteve na cidade no mês que passou. Ciceroneada pelo pesquisador valenciano, Luiz Francisco Moniz Figueira, a estudante espanhola busca informações em documentos e depoimentos sobre o artista que, apesar da significativa contribuição para a cultura da Espanha, é hoje pouco conhecido em seu país. Ana conta que a pesquisa é fruto de projeto interdisciplinar entre as Faculdades de Letras e de Informática. A ideia inicial é a produção de página eletrônica na web para disponibilizar e divulgar os textos do artista e militante, Timóteo Perez Rúbio, mas há a possibilidade da produção de um livro. Segundo Ana Manso, “Timo”, como era conhecido em Valença, não era apenas pintor, mas escritor, só que com textos não publicados. A pesquisadora conta que parte destes textos estavam com Carlos Chacel, filho de Rubio, que mora na Espanha. A vinda ao Brasil tem como objetivo registrar a outra parte.

“A parte sobre a vida de Timo em Valença não é conhecida. Ele viveu 34, 35 anos aqui. Não podemos esquecer isso. Temos que pôr em relação a sua vida como obra literária”, afirmou ela, lembrando que a pesquisa na cidade poderá entender o que o pintor pensava de seu período de exílio, qual era a relação dele com os valencianos, especialmente, com Vito e Lea Pentagna, e qual a influência disto tudo na sua obra literária e artística. “O fato de a família Pentagna ter muita, muita obra guardada, telas preservadas com muito carinho, falam muito dele. Ele era mais querido aqui do que na Espanha. Mais reconhecido aqui do que na Espanha!”, afirma ela, ressaltando que Timo nasceu no povoado de Oliva de la Frontera, na região autônoma de Extremadura, onde deveria ter seu histórico conhecido e reverenciado. “É muito transcendental para a Espanha, porque ele foi o responsável de salvar dos bombardeios o patrimônio artístico do Museu del Prado. [...] Se temos um Rubens, um Velázquez, um Bosco, um El Greco, é por causa dele!”.

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