A escola pública e os problemas estruturais

Edição: 655 Publicado por: Paulo Henrique Nobre em 10/07/2019 as 08:53

 
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Valença – Dando continuidade à matéria veiculada na edição 654, que trata sobre os desafios da alfabetização e da aprendizagem, nesta semana, o Jornal Local focará em dois aspectos: a educação pública e a particular. No tocante à educação oferecida pela Rede Municipal de Ensino, especialistas falam sobre o problema das salas superlotadas, evasão escolar e falhas estruturais.

O vereador Professor Rafael acredita que a escola pública precisa se aprimorar. Ele vem realizando visitas regulares às unidades, onde detectou melhorias significativas na merenda, mas problemas estruturais graves. “As denúncias que eu recebo: ausência de professor, ausência de material didático, problema estrutural, são coisas que são inerentes em todas as escolas”. Ele lembra que várias unidades têm situações complicadas, como a escola do Quilombo. “Está caindo aos pedaços!”. Outro problema é a falta de professores em várias matérias. “A gente faz uma reflexão que cabe ao Poder Público, é uma crítica que a gente faz, na elaboração do processo seletivo. Se o professor passa no processo seletivo e, no meio do período, larga, tem que ser feito algum tipo de punição para que as crianças não sejam prejudicadas em relação a isso. Há um déficit de concurso público e o Município acaba fazendo isso como processo seletivo. E o aluno acaba não tendo nenhum tipo de referência com os profissionais”. Rafael também falou como se deveria prevenir problemas de superlotação em salas de aula. “Hoje, eu vejo que o grande problema é a centralização dos alunos do sétimo, oitavo e nono ano. Para você atender de forma satisfatória é a descentralização e a construção de mais salas de aula, para que os alunos de Osório, da Ponte Funda, de João Bonito, do Cambota, da Biquinha, do Canteiro, não tenham que vir estudar nas escolas centrais”. Rafael acredita que se deve estimular o aluno a continuar no bairro e, com isso, limitar o acesso às escolas centrais para não ficarem aquelas salas superlotadas.

Para Felipe Duque (diretor do Sepe-Valença), a manutenção das escolas e a qualificação dos professores sempre demanda discussões das mais variadas. “Acredito que uma infraestrutura agradável, bonita aos olhos, faça com que as pessoas que ali frequentam, tenham um outro olhar e uma outra forma de agir dentro desse espaço. [...] Um ambiente ‘feio’ traz como consequência, atitudes ‘feias’. Um ambiente bem estruturado, que seja acolhedor, traz como consequência, atitudes acolhedoras por conta de quem frequenta o espaço”. A pedagoga Mônica Teixeira, diretora do Curso de Pedagogia da FAA, também acredita que a desestruturação das escolas públicas é um problema. “Um ambiente ‘feio’ traz como consequência, atitudes ‘feias’. Um ambiente bem estruturado, que seja acolhedor, traz como consequência, atitudes acolhedoras por conta de quem frequenta o espaço”.

Com relação à inclusão de crianças especiais na educação, Rafael ressalta que a formação e a capacitação dos profissionais é fundamental. “Embora no Município, você tenha uma escola especial, que é o Centro Integrado Municipal de Educação Especial – Cimee – porém, foi feito em 96. São mais de 22 anos da criança do Cimee. Há necessidade de capacitação de recursos humanos e também formação. E a gente tem que ter um olhar diferenciado”.

Dificuldades

De acordo com a secretária de Educação, Maria Aparecida Almeida mesmo com as dificuldades, a Rede Municipal consegue avanços. “Nós somos bastante inclusivos. Eu tenho até uma planilha. Nós temos hoje na Rede 588 alunos atendidos no Cimee por especialistas, atendimento clínico, psicológico, fonoaudiológico, enfim. Nós temos dez salas de atendimento educacional especial com 178 alunos atendidos no contraturno. Nós temos hoje, na Rede, oitenta monitores de inclusão, profissionais de apoio para todos esses alunos cujo laudo requer mesmo um profissional de apoio. Ainda temos uma carência de seis, que a gente não conseguiu. Mas, num montante tão grande assim, a gente só está com seis carências. É uma conquista muito grande. Nós temos 34 alunos autistas, nós temos 104 alunos com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Então, esse é o nosso quadro dos alunos que têm necessidade educacional especial inclusos na Rede. Todos com adaptação curricular individual. Nós temos seis alunos surdos: para todos eles, nós temos intérprete de libras”.

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