Os métodos e o conteúdo da educação particular

Edição: 655 Publicado por: PHN em 10/07/2019 as 08:55

 
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Valença – O outro aspecto da educação no município é aquele oferecido por escolas particulares. E delas, surgem dúvidas acerca aos métodos educacionais e ao grande volume de conteúdo. Por outro lado, será que é possível transmigrar boas práticas empregadas no ensino de escolas privadas para a educação pública? Veja o que dizem educadores sobre essas questões.

Para Vanda Valente, uma escola particular não pode lidar com a criança como se fosse um robô. Toda escola que escolhe material didático, ela diz o que ela é. Nós, aqui no Líder, escolhemos uma metodologia que é bastante puxada. O material é conteudista, tem conteúdo para o aluno aprender. O sistema de ensino é o Eleva. O método é conteudista mesmo, a gente trabalha de forma interdisciplinar, ou seja, os conteúdos têm relação uns com os outros. Porque é dessa forma que o ENEM hoje avalia. Mas a gente não pode esquecer que a gente não tem um robô na sala. Um jovem que está terminando o terceiro ano do Ensino Médio, ele está passando por uma pressão, social, familiar e dele mesmo. Eles estão à flor da pele. Com isso, a gente entra com algumas atividades. Por exemplo, nós temos a Festa Julina da Escola. Você dá uma quebra nisso. No início de agosto, começam os vestibulares. A gente tem a Festa Juliana e dá prioridade ao primeiro, segundo e terceiro anos. Todo ano, próximo ao vestibular, nós contratamos uma equipe de massagistas para os alunos. Nós trazemos ex-alunos nossos que vêm conversar com os alunos. Agora, vai vir uma psicóloga, que trabalha na linha do estresse. O primeiro teste vai ser com a turma dos militares. O método por si só não faz o trabalho. O método é como se fosse a luza do caminho. Ele não é o caminho. Aluno aqui não é número de matrícula, não é uma mensalidade. Ele é um ser humano. O Líder, quando foi fundado, foi por causa das minhas duas filhas. O lado humano, que era para atender minhas filhas, o Líder preserva isso. É uma luta diária. A equipe está muito próxima dos professores e dos alunos. Isso deixa os alunos bastante encantados.

A minha experiência foi tentar resolver um problema particular, que era a formação das minhas filhas. Eu queria que elas fossem para a universidade federal, universidade pública. Descobri que esse problema não era só meu: era de muitas famílias. E por que o Líder veio do Ensino Médio para a Educação Fundamental 2, Educação Fundamental 1 e Educação Infantil? Porque eu fui vendo muitas lacunas dentro das escolas de Valença. Eu tinha muitos alunos que chegavam para mim com depressão, com síndrome de pânico, reclamando de bullying que acontecia em outras escolas. E eu ficava imaginando como é que ninguém estava vendo isso! Por que as outras escolas não se importavam? Por que achavam isso normal e, muitas vezes, culpavam a vítima? Eu comecei a perceber que as escolas eram locais de sofrimento. Então, eu tinha que abrir uma escola onde as crianças não sofram isso. Hoje, é o contrário: as crianças querem ficar no Líder. Hoje, tem uma cantina que serve refeição. É um ambiente propício ao estudo e à confraternização, à troca.

Se você vai chegar no Ensino Médio sem base, você está enrolado. Hoje, a gente pensa a formação educacional do aluno desde o Fundi 1. Eu uso o sistema de ensino Eleva desde o Infantil. Hoje, realmente, a gente pensa na formação do aluno para chegar a uma aprovação em longo prazo. Você ficou o tempo todo na educação na escola de baixa qualidade. Aí você resolve: ah, agora, 3º ano, eu vou entrar lá no Líder, porque agora eu vou estudar para ser aprovado. Isso não vai acontecer. Por quê? Porque você tem anos e anos de falta de base. Com relação ao grande volume de conteúdo, Vanda diz que ele é pensado para ser dado em sala de aula. Eu tenho quatro horas para trabalhar. E a quantidade de exercícios que vai para casa é, no meu ponto de vista, bastante razoável. Quando você tem um sistema de ensino que pensa no sócioemocional, ela também leva em consideração o material didático.

Crítica ao conteudismo

Para a pedagoga Mônica Teixeira, diretora do Curso de Pedagogia da FAA, o conteudismo puro pode ser preocupante. “Uma aprendizagem apenas conteudista traz consequências negativas para estudantes e professores. Estudantes ao não compreenderem o conteúdo e precisarem decorar o mesmo, se sentem frustrados, angustiados, decepcionados consigo mesmos, desmotivados com a escola e algo bem recente que caberia uma discussão mais aprofundada – se sentem e ficam deprimidos e os professores se sentem desmotivados em relação à profissão”. Para a pedagoga, uma equipe de professores que atendam, por exemplo, o sétimo ano de escolaridade, precisam ter tempo entre si para conversarem e criarem projetos interdisciplinares entre suas disciplinas. “Como isso será feito? De escola para escola, de professores engajados com sua profissão para outros professores engajados com a profissão [...] O professor precisa escolher o melhor método e técnica para melhor atender ao seu grupo de alunos”.

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