Há arte em nossas praças

Edição: 666 Publicado por: Gustavo Abruzzini em 25/09/2019 as 09:00

 
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Valença – Poucos são os que se dão conta. Muitos nem reparam. Mas diante de todos os moradores, em especial dos frequentadores e visitantes de nossas praças, existem obras de arte a transcender o tempo e o espaço. Refiro-me aos monumentos fincados entre canteiros e cercados de vegetação que passando desapercebidos, escondem muita história, arte e plasticidade decorativa.

E são nas duas principais praças do Centro da cidade, apelidadas de “Jardim de Cima” e “Jardim de Baixo”, que algumas destas obras escondem-se de nosso senso comum. Na “de Baixo” que já foi Dom Pedro II e que, com a República, se viu rebatizada de XV de Novembro, ainda se mantém o traçado creditado ao engenheiro e botânico francês Auguste François Marie Glaziou, autor dos jardins da Quinta da Boa Vista, do Passeio Público e da Praça da República no Rio de Janeiro. Do período imperial, nossa praça foi equipada com o chafariz e o divã, ambos em pedra trabalhada, inaugurados em 1850. Quando vira o século, a sociedade de então lança por meio de habituais “subscrições populares”, forma como denominavam as hoje populares “vaquinhas”, e implantam dois imponentes monumentos em pedra e bronze na cidade: o primeiro, homenagem ao comendador Antônio Jannuzzi, no “Jardim de Baixo”; e o outro, semelhante, em homenagem ao engenheiro Paulo de Frontin, na praça de mesmo nome que já foi da “Estação” e agora é da rodoviária Princesa da Serra. Clássicos, não há referências de autoria dos mesmos. Apenas a certeza da bela e imponente decoração das citadas praças.

Mas é no “Jardim de Cima”, ou praça Visconde do Rio Preto, que afixaram-se obras primas da escultura monumental. A começar pelo expressivo coreto, seguramente um dos mais bonitos do país, que foi um sonho acalentado pela geração de jovens intelectuais da virada do século dezenove para o vinte. Este sonho do coreto se realiza com a inauguração, na noite do dia 15 de novembro de 1916. Surgidos em meados do século dezoito, na Europa, os coretos ganham o mundo a reboque dos ideais da Revolução Francesa, que vai democratizar a cultura. Fato é que no começo do século vinte viram febre e iniciativa de governo. Para construir o coreto de Valença, a municipalidade recebe subvenção do governo do Estado. De ferro fundido, sobre sólida base de cimento é obra da Fundição Brasil.

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